QUATRO ESTAÇÕES
é o nome do meu restaurante de sonho que fica a Leste da Lua e a Oeste do Sol, no alto dum monte com vista cativa sobre o mar. Tem um jardim de oliveiras, alfarrobas, figueiras, amendoeiras e azinheiras, marmeleiros, algumas laranjeiras e limoeiros, e nele explodem, no Verão, tufos de alfazemas cujo azul nos refresca de uma maneira sem igual e cujo doce perfume atrai enxames que nos embalam no torpor do seu zumbido.
é o nome do meu restaurante de sonho que fica a Leste da Lua e a Oeste do Sol, no alto dum monte com vista cativa sobre o mar. Tem um jardim de oliveiras, alfarrobas, figueiras, amendoeiras e azinheiras, marmeleiros, algumas laranjeiras e limoeiros, e nele explodem, no Verão, tufos de alfazemas cujo azul nos refresca de uma maneira sem igual e cujo doce perfume atrai enxames que nos embalam no torpor do seu zumbido.
No Inverno, a vegetação desnuda-se sem pudor, hibernando num pousio que a preparará para as novas estações de calor que se hão-de seguir.
A Primavera e o Outono são as estações de transição, as mais equilibradas, sem calores e frios excessivos, pontilhadas pelas cores doces das árvores de fruto floridas e pelos ocres e magentas das folhas que preparam a sua despedida de mais um ciclo anual.
No quintal há uma pequena horta e muitas ervas aromáticas. Também se podem encontrar alguns animais de criação.
É uma casa antiga, de tons ocres, com janelas pequenas que impedem as trocas térmicas. Da varanda da sacada tombam trepadeiras da inebriante madressilva e há glicínias com fartura.
No interior há uma grande lareira que se acende no Inverno e empresta às paredes brancas as cores vivas do fogo que nos aquece e ajuda a suportar a mais dura das estações. Ainda no Inverno, há mantas de cores quentes nas cadeiras e tapetes no chão.
No Verão as portadas de madeira quebram a invasão dos raios abrasadores e a nudez da tijoleira confere um extra de frescura. À noite, podemos jantar no exterior - a altitude, a profusão de gerânios e de citronela enxotam insectos indesejados.
Nos dias soalheiros das estações mais frescas podemos almoçar ao ar livre e aproveitar a quietude dos dias que passam com vagares sábios de quem já viveu muito e sabe que não há que viver com pressa pois a vida disso se encarregará.
As mesas têm toalhas de pano e pratos brancos.
Há quatro ementas por ano, uma para cada estação, que se diferenciam pelos produtos que usam – sempre só e apenas o que há em cada momento – e pelos métodos de confecção.
Se o Inverno tem estufados longos de vegetais, empadões no forno, maior carga proteica e energética, quiçá um ou outro prato de carne, proveniente dos pequenos animais da criação caseira, sopas mais substanciais, sobremesas ricas e cereais fortes – a aveia, o arroz integral de grão curto, o trigo-sarraceno, o arroz e o millet glutinosos -, logo na Primavera se seguem pratos de transição, de limpeza – cozinhados mais rápidos, menos forno e menos lume, cereais como a cevada, o arroz de grão médio/comprido, o millet, as sêmolas, as massas, os vegetais levemente escaldados. Já o Verão prima pela leveza, pelos pratos frescos e descomplexados como couscous, taboulehs, sopas frias, polentas, gelatinas e outras sobremesas leves e, claro, fruta fresca e saladas cheias de cor e aromatizadas pelas muitas ervas de cheiro vindas da horta. Chegados ao Outono, nova transição nos prepara para o Inverno que há-de voltar, desta vez repleta das cores de terra, ocres, magentas, ferrugens – polentas no forno, sopas de millet, grão, lentilhas vermelhas e castanhas.
Do mar chegam alguns peixes que enriquecem o cardápio, preparados sempre com a maior das parcimónias – um pouco de sal, uma grelha ou um cesto a vapor, ou então uma sopa de peixe, que faz as vezes de refeição completa.
Leguminosas há-as sempre, frescas na estação própria, secas durante o resto do ano, em sopas, guisados ou simplesmente cozidas e temperadas com um fio de azeite e umas ervas de cheiro.
Da horta vêm também a camomila, a cidreira, a verbena e a erva príncipe que, infusas, ajudarão as digestões mais preguiçosas.
Nas noites sem luar, podem ver-se as estrelas e as constelações, fazer desejos quando uma estrela cadente incendeia os céus.
E o desejo maior é que locais como este possam transformar-se de sonho em realidade e se imponham ao frenesim dos dias uns atrás dos outros, em que tudo é feito em modo automático e sem verdadeira e genuína fruição...
No meu restaurante de sonho podemos encontrar as seguintes paletas de cores e sabores, calmamente embaladas pela música mais apropriada a cada estação.
Música de Primavera
Menus de Primavera
Menus de Primavera
Música de Verão
Menus de Verão
Menus de Verão
Menus de Inverno
Menus de Inverno
E com este post participo na 12ª Edição do Convidei para Jantar, iniciativa da Ana de que a Cozinha a Cores da Manuela é este mês a anfitriã.




