domingo, 11 de setembro de 2011

TRINTA DIAS - TRINTA MENUS: BALANÇO

Ao longo de cinco semanas - trinta e cinco dias - consegui elaborar trinta menus mais ou menos variados, mais ou menos ricos, mas que, do meu ponto de vista, "cumprem os mínimos".
Um refeição que cumpre os mínimos tem uma composição equilibrada em termos nutricionais - hidratos, proteínas, gorduras, vitaminas -, é visual e olfactivamente apelativa, deixa-nos saciados sem "empaturrar". Houve dias sem entradas no blog porque os menus eram repetitivos. Houve outros dias com mais do que uma entrada porque correspondiam a fins de semana.

O balanço:
1. A minha admiração, respeito, tributo, vénia e tudo o mais que se queira às mães que todos os dias têm que alimentar as suas famílias, com escassez de recursos e excesso de tarefas. No meu caso, tenho overdose de projectos mas posso dispor do meu tempo e, felizmente, não preciso de contar os cêntimos.
2. O segredo do sucesso reside:
a) na planificação - antecipar o que se vai cozinhar permite abastecer a despensa com tudo o que é necessário sem surpresas de última hora; claro que há sempre uma margem de liberdade que permite a criatividade.
b) na concentração: algumas refeições complicadas demoraram exactamente 30 minutos a cozinhar, outras, aparentemente mais simples, mais do que esse tempo; sei perfeitamente que quando estou concentrada o resultado é mais rápido e melhor; quando começo a pensar nas 1001 coisas que tenho que fazer é a hora do disparate: abro e fecho frigorífico, gavetas e armários inúmeras vezes sem saber ao que vou, acho que devo adicionar mais qualquer coisa mas a inércia tolhe-me; é nestas alturas que gostava de ter nascido homem, para conseguir fazer o switch perfeito entre duas tarefas e esquecer as demais enquanto me ocupo de uma qualquer; mas depois penso que esta desconcentração me permite abraçar as 1001 coisas que faço quotidianamente e fico satisfeita por ser como sou;
c) na conservação rigorosa dos alimentos: os redons só são bons quando os alimentos são imediatamente guardados no frio, devidamente acondicionados em recipientes que deverão ser preferencialmente de vidro.
3. O importante são os básicos; apesar de as receitas sofisticadas serem muito apetecíveis, são para ocasiões especiais, pois são incompatíveis com o nosso quotidiano de correria e falta de tempo; só excepcionalmente nos podemos dar ao luxo de passar 3 horas na cozinha para cozinhar um jantar que se consome em 30 minutos; por outro lado, o aporte calórico dessas refeições é demasiado rico para poderem ser a regra; por isso, importante mesmo é planear as refeições semanais e deixar as de fim de semana ao gosto da imaginação; e sempre me soube bem voltar ao básico arroz integral (se possível, acompanhado de arroz integral...) após alguns excessos.
No dia a dia, uma boa sopa e mais qualquer coisa leve chega e sobra para a refeição do jantar, que deve ser ligeura para não interferir com o repouso.
4. Como diz a minha amiga S., tudo tem uma razão de ser nas nossas vidas; aceito por isso que a minha incapacidade de saber fritar os alimentos se deve, muito prosaicamente, a que os fritos não podem ter lugar na minha alimentação, o que é compreensível considerando que tive uma hepatite aos 4 anos.
Assim sendo: adeus fritos e adeus complexos; quando quiser uns bons filetes ou umas boas pataniscas bato a algumas portas conhecidas...
5. Last, not least, 1 kg a mais. Começarei hoje mesmo a trabalhar para o perder.

E a seguir?
Para já, descansar.
Depois, revisitar a culinária tradicional portuguesa e adaptá-la, não à dieta macrobiótica padrão japonesa, mas a certos princípios básicos: frugalidade, parcimónia, ausência de gorduras animais, de carne, de lácteos, de açúcar, contenção nos ovos.
Irei começar pelos meus queridos Alentejo e Algarve.

Darei notícias.

Até lá, deixo-vos com Sinatra, neste dia 11 de Setembro em que eu me sinto mais americana do que nunca.

And now, the end is here
And so I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain
(...)
And more, much more than this, I did it my way.

1 comentário:

  1. Se não sois capaz de um pouco de feitiçaria, não vale a pena meter-vos a cozinheiro.

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