domingo, 6 de novembro de 2011

E AGORA ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE (5)

POUPAR

As épocas de crise representam oportunidades de nos reinventarmos e olharmos a nossa vida e hábitos de ângulos e perspectivas diferentes.
Menos é mais - poupar não é só gastar menos dinheiro - é poupar recursos, consumir menos, gastar menos tempo a arrumar, a limpar e a deitar fora o que se comprou só porque sim, o que nos permite ter mais tempo disponível para descansar, fazer coisas importantes, trabalhar.
Um casa "clean" e minimalista limpa-se e mantém-se melhor, logo poupa-se no tempo da limpeza e no custo, se esse serviço for feito por terceiros.
Aqui confesso os meus sentimentos contraditórios porque se adoro o minimalismo japonés e a depuração das linhas art-déco, também adoro o estilo country britânico e a riqueza da art nouveau; do que não gosto mesmo é do barroco na decoração - só na música.
E, por falar em Inglaterra, há uns anos quando lá estive pela última vez, estava florescente o negócio dos consultores ... de lixo. Estas pessoas ganhavam qualquer coisa como 60£ à hora (o equivalente a 75€ ou, actualmente, com a correcção provocada pelo aumento dos preços após a entrada no euro, 150€) para ajudarem as pessoas a desfazerem-se do lixo que tinham acumulado ao longo de semanas, anos, décadas... Fiquei estupefacta perante a sociedade de consumo no seu melhor: primeiro instiga-se a compra desenfreada de tudo e mais alguma coisa como se o mundo fosse acabar, depois há uns consultores que nos ajudam a deitar fora aquilo que nos custou (muito) dinheiro...
Como no ditado que diz que asseado não é quem muito limpa mas quem pouco suja, poupado não é quem compra muito por um preço muito barato mas sim quem gasta o que tem que gastar ao melhor preço possível.

Alguns conselhos práticos, sem pretensões de cientista, de quem tem a certeza absoluta que são as pequenas coisas e os pequenos gestos que fazem a diferença.
1. Reduzir as doses dos detergentes das máquinas para 3/4 ou mesmo 1/2 do aconselhado; poupa no detergente, nos tecidos e, em maníacos como eu que não podem ver uma bolha de espuma na última volta da máquina sem fazerem 10 enxaguagens adicionais, na água extra para tirar os restos de detergente.
2. Cozinhar sempre mais do que uma dose - gasta-se o mesmo tempo e energia e fica-se com refeições extra que podem ser rapidamente preparadas com um simples aquecimento em banho maria. Nas sopas, cozinhar uma panela grande permite congelar uma porção que se pode comer dias depois intervalando com outra sopa entretanto cozinhada (para não passar uma semana a comer a mesma sopa).
3. Aquecimento: reduzir ao mínimo as necessidades de aquecimento em casa passa por ter muita actividade (cozinhar, limpar, lavar - nem imaginam as calorias que libertam!) ter um bom polar, meias quentinhas e uma mantinha para nos taparmos enquanto lemos ou vemos um filme; além disso, também justifica que nos enrosquemos aos nossos amores, proporcionando momentos extra de "skin to skin bond", algo que as mães sabem bem o que é... Na cama, um edredão de grossura adequada à época do ano ajuda a dispensar aquecimento no quarto.
4. Diversão
O cinema tem dias de desconto e quase todas as cadeias fazem descontos de "compre dois pague um"; mesmo que isso implique ter que conviver com as pipocas gordurosas do vizinho do lado, compensa imenso; os canais por cabo disponibilizam aluger de filmes por 24horas; por 3,5€ uma família inteira pode ver um filme que não seja daqueles obrigatórios para ver em grande écran.
Os museus (por enquanto) ainda são grátis aos Domingos de manhã (até às 14h). Sabem quem lá vejo? Estrangeiros... (excepto Serralves e Gulbenkian).
A Gulbenkian é grátis todo o Domingo.
Há imensos espectáculos em igrejas, foyers de teatros, museus que são de entrada livre (p. ex., na Gulbenkian, todos os primeiros Domingos do mês, às 12h, junto à Biblioteca do Museu principal, há um concerto).
A entrada nas Igrejas é livre, vêm-se verdadeiras obras de arte e respira-se tranquilidade que induz a calma, a meditação e a reflexão.
Tudo mas tudo mesmo é melhor do que um passeio deprimente num Centro Comercial que nos deixa histéricos, angustiados, para além de poder proporcionar momentos de consumismo irracional - parques, jardins, um passeio junto ao mar, para quem viver no litoral, ou, simplesmente, ficar em casa a "curtir" um bom livro, com uma boa chávena de chá, ou ver um bom filme...
5. Compras básicas
Já foi dito tudo: lista de compras, fora de horas e com a barriga cheia (depois de jantar, p. ex). Marcas brancas.
Para gerir melhor o tempo, comprar os secos para um mês ou mesmo dois (drogarias, mercearias). Comprar semanalmente os "molhados" (vegetais, frutas, peixe). No caso de tofus, seitans, iogurtes, as compras podem ser quinzenais.
Comprar vegetais biológicos compensa imenso - duram, duram, duram, e aproveitam-se todos, além de que sabem muito melhor!
Comprar local (nas praças) permite comprar português e de produtores próximos, o que significa menos energia consumida para transportar os produtos.
6. Não básico
Estabelecer uma moratória de 15 ou 30 dias; se ao fim desse tempo ainda se lembrar, estabelecer nova moratória; se entretanto se tiver esquecido,o mais certo é que não precisava daquilo para nada.
7. Comunicações
Quase todas as chamadas efectuadas de rede fixas para redes fixas são grátis. É analisar os relatórios de contas das empresas de comunicações móveis e fazer as nossas contas...
8. Presentes
Sem ser para pessoas ou ocasiões especiais, gastamos demais. Substituímos o convívio por bens materiais. Os presentes mais importantes são aqueles em que pomos algo de nós. É deixar a imaginação trabalhar. Já aqui dei exemplos (sacos de alfazema, compotas). No próximo natal vou oferecer "VALES": VALE um jantar macrobiótico; VALE um exercício de outdoor em conjunto no Parque X; etc! Quem quiser e puder oferecer presentes de compra, porque não investir em vouchers de massagens, bilhetes de teatro, bailado, concertos?...
9. Livros
Para quem cresceu rodeado de livros e sempre viu livros a entrar em casa mesmo nas alturas de crise (sim, porque antes desta, já vivi várias), este é um assunto tabu. Mas tenho conseguido disciplinar-me. As sugestões vão da utilização de serviços de biblioteca que emprestam livros, ao empréstimo informal entre amigos (com devolução garantida para não ficar sem os amigos...), ao sistema "pass down" ou passagem de testemunho para livros que se devoram uma vez mas à segunda já não se engolem - como o Dan Brown ou a Joanne Harris. A trilogia do Millenium que li nas férias foi emprestada. O Rentes de Carvalho, descoberto este ano e muito querido cá na casa, é partilhado por toda a família.
Estabelecer moratórias nas novas aquisições. Eu, por exemplo, devo ter cem anos de moratórias, à conta dos livros que ainda tenho por ler... Mas, como referi, os livros são assunto tabu e aqui só posso dar maus exemplos...
10. Desporto
Os ginásios podem ou não ser a melhor opção mas custam sempre dinheiro; serão ou não caros de acordo com a frequência que deles se fizer.
Mas desporto não é sinónimo de ginásio.
Caminhar todos os dias meia hora (mínimo) em passo rápido é um bom desporto. Se se puder aliar à caminhada um pequeno circuito de manutenção com estações de exercícios localizados, melhor.
Correr é bom e produz endorfinas que geram um bem estar fantástico, mas cuidado com as articulações em particular com a coluna. Deve sempre consultar-se o médico ou fisioterapeuta e, em qualquer caso, começar por caminhadas rápidas até se chegar à corrida.
E porque não fazer as contas e juntar uns amigos para contratar um coacher à hora para uma boa sessão semanal de bootcamp com alongamentos no final?!
Por último, e como já referi, todas as tarefas domésticas fazem dispender imensa energia. Li algures que um dos problemas da obesidade actual tem a ver com o facto de termos substituído quase todo o trabalho manual por máquinas, continuando a alimentar-nos como se fossemos lenhadores ou camponeses do tempo do arado...

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