sábado, 4 de agosto de 2012

ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE

A PROPÓSITO DAS GORDURAS

Escevi aqui, a propósito da cavala e outros peixes gordos, que as gorduras são essenciais às trocas celulares e ao funcionamento cerebral.
Não querendo armar-me em "experta" (não é erro, é gozar com a importação de anglicanismos - e outros - fazendo uma mistura do "expert" inglês com o nosso chico-esperto), recorro ao livro "Bíblia da Alimentação" de Patrick Holford (Editorial Presença, 1ª Edição, Maio 2000), onde, no Capítulo As Gorduras da Vida, se lê o seguinte:

"Considera-se ideal não consumir mais do que 20% do total de calorias sob a forma de gorduras. (...) As gorduras saturadas e mono-insaturadas não são nutrientes(...). Porém, as gorduras ou óleos polinsaturados são essenciais. Quase todos os alimentos que contêm  gorduras possuem uma mistura dos três tipos. (...)
Actualmente, a maioria dos especialistas concorda em que, do total das gorduras que ingerimos, as gorduras saturadas deveriam representar menos de um terço, pelo menos outro terço ser constituído por óleos polinsaturados que fornecem as duas gorduras essenciais: a família do ácido linoleico, conhecido pelo nome de Ómega 6, e a família do ácido alfa-linolénico, conhecido pelo nome de Ómega 3. O equílibrio ideal é de cerca de duas partes de Ómega 6 para uma parte de Ómega 3. Por conseguinte, o «perfil lipídico» ideal, baseado numa ingestão calórica total em que não mais de 20% provenha de gordura, poderia consisitir em: - 4% de Ómega 3; - 3% de Ómega 3; - 7% de gordura mono-insaturada; - 6% de gordura saturada.
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A família das gorduras Ómega 6
A avó da família das gorduras Ómega 6 é o ácido-linoleico, que o organismo converte em ácido gama-linolénico (GLA). O óleo de onagra e o óleo de borragem são as fontes mais ricas que se conhece de GLA, e se os tomarmos sob a forma de suplementos necessitamos de menos óleo para obter gorduras Ómega 6.
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O GLA é posteriormente convertido em DGLA (ácido di-homo gama-linolénico) e, depois, em prostaglandinas que são substâncias extremamente activas semelhantes a hormonas. O tipo que é produzido a partir destes óleos Ómega 6 chama-se prostaglandinas da série 1. Mantêm o sangue fluido, impedidno coágulos e bloqueios, relaxam os vasos sanguíneos, diminuem a inflamação e as dores, melhoram a função nervosa e imunitária e ajudam ao funcionamento das insulinas, que é boa  para o equilíbrio da açúcar no sangue.
(...)
Esta família de gorduras provêm exclusivamente de sementes e dos seus óleos. As\ melhores fontes são o cânhamo, a abóbora, o girassol, o cártamo, o sésamo, o milho, os frutos secos, a soja e o óleo de gérmen  de trigo.
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A família das gorduras Ómega 3
A dieta moderna é muito provavelmente mais deficiente em gorduras Ómega 3 do que Ómega 6, porque a avó da família Ómega 3, o ácido alfa-linolénico, e os seus netos metabolicamente activos, o EPA (ácido eicosapentenóico) e o HDHA (ácido decosahexanóico), a partir dos quais são feitas as prostaglandinas da série 3 são mais insaturados e com mais tendência a deteriorar-se durante a confecção de alimentos. Estas gorduras, à medida que se convertem, no interior do organismo, em substâncias mais activas, tornam-se mais insaturadas e, geralmente, o termo que as designa torna-se mais comprido (por exemplo, o ácido oleico: um grau de insaturação; linoleico: dois graus de insaturação; linolénico: três graus deiinsaturação; eicosapentenóico: cinco graus de insaturação).
Podemos observar esta complexidade crescente ao avançarmos na cadeia alimentar. O plâncton, por exemplo, alimento essencial do peixe miúdo, é rico em ácido alfa - linolénico. Os peixes carnívoros como a cavala e o arenque, comem o peixe miúdo que converteu algum do seu ácido alfa-linolénico em gorduras mais complexas. Os peixes carnívoros continuam a conversão. As focas comem-nos e possuem a mais elevada concentração de EPA e de DHA. Finalmente, os Esqimós comem as focas e beneficiam de uma refeição já pronta de EPA e de DHA, a partir das quais podem fabricar com facilidade as prostaglandinas da série 3.
Estas prostaglandinas são essenciais a um funcionamento cerebral adequado que abarca a visão, a capacidade de aprender, a coordenação e o humor. Tal  como as prostaglandinas da série 1, aumentam a fluidez do sangue, além de controlarem o colesterol e os níveis de gordura no sangue, de melhorarem a função imunitária e o metabolismo, de reduzirem a inflamação e de manterem o equilíbrio hídrico.
Os melhores óleos de sementes para as gorduras Ómega 3 são de linhaça, de cânhamo e de abóbora. Tal como o óleo de onagra ultrapassa o primeiro estádio de "conversão" de ácido linoleico, se comer peixes carnívoros como a cavala, o arenque, o atum e o salmão, ou os seus óleos, pode ultrapassar os primeiros dois estádios de conversão do ácido alfa-linolénico e ir directamente para o EPA e o DHA. É por isso que os povos que comem peixe como os japoneses possuem três vezes mais gorduras Ómega 3 no seu corpo do que um amricano médio. As pessoas exclusivamente vegetarianas, que comem mais sementes e frutos secos, possuem duas vezes mais gorduras Ómega 3 do que um americano médio."

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