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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O OUTONO (26)


GELATINA DE LUCIA LIMA E ERVA PRINCIPE
 
 

Parti da receita da gelatinade maçã variando os

INGREDIENTES:
1 litro de infusão de lúcia-lima com erva príncipe (coada);
3 colheres de chá de agar-agar em pó;
1 colher de sopa rasa de amido de milho;
Geleia de arroz a gosto;
Sumo e raspa de meio limão;
Amêndoas palitadas, sultanas e folhas de manjericão para finalizar.

PREPARA-SE da seguinte forma

Num recipiente alto, leva-se a infusão ao lume com uma pitada de sal, a agar-agar, o amido e a geleia de arroz, mexendo sempre até o preparado começar a engrossar e a subir na panela. Prova-se e rectifica-se o doce (se, em quente, parecer pouco doce é porque, seguramente, precisa de mais, pois em frio irá parecer desprovido de doce).


 

Coloca-se o fundo de uma forma de silicone as folhas de manjericão, a amêndoa e as sultanas. Verte-se o preparado com cuidado e deixa-se arrefecer completamente, servindo apenas após solidificar completamente.


 

Nesta receita utilizei duas tisanas – a lúcia-lima e a erva príncipe – e uma erva aromática – manjericão – pelo que considero que esta receita se habilita a participar no passatempo [Limited Edition], do blog da Maria, com o patrocínio da Herdade do Gamboal

domingo, 13 de outubro de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O OUTONO (14)


MARMELOS ASSADOS NO FORNO

Nesta edição de Outono não podia faltar uma sobremesa de marmelos, fruto silvestre próprio desta estação. Como se poderá constatar numa viagem feita em estradas regionais, bordejadas de marmeleiros quase a partir com o peso dos ramos sobrelotados deste fruto.

Já há muitos anos que, para além das marmeladas e geleias, costumava cozinhar os marmelos, cozidos ou assados no forno, apenas polvilhados com um pouco de canela.

Hoje, preparei-os de uma forma um pouco mais elaborada.

Comecei por lavar muito bem os marmelos, com a escova de vegetais, cortando-os seguidamente em quartos, que borrifei com sumo de limão para evitar que oxidassem. Dispus os quartos de marmelo num pirex com água pela metade do pirex, coloquei uns paus de canela, polvilhei com raspa de um limão e com uma mão cheia de sultanas. Assei cerca de uma hora e um quarto, ao mesmo tempo que o peixe assado da entrada anterior, como forma de poupar energia.


 

Servi com compota de melão e de melancia.

 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

DOCE DE COUSCOUS COM CHOCOLATE



Receita inspirada na última participação da Marmita no CpJ, adaptada aos ingredientes disponíveis na despensa.

Ingredientes
1 chávena almoçadeira de couscous lavado
1 iogurte de soja natural
50gr de chocolate com >70% de cacau
2 colheres de sopa de geleia de arroz
uma mão cheia de amêndoas palitadas
raspa de limão
bagas de gogi para enfeitar
água a ferver q.b.

Preparação
Ensopar o couscous lavado com água a ferver (medida igual à utilizada para medir o couscous; acrescentar água no caso de o couscous ficar demasiado seco). Envolver o couscous assim ensopado com um iogurte de soja natural. Numa caçarola anti-aderente, tostar os palitos de amêndoa e envolvê-los com a geleia de arroz, sem deixar caramelizar. Juntar a raspa de limão e as amêndoas tostadas no doce aos couscous.
Dispor o couscous em taças individuais.
Derreter o chocolate em banho maria e colocar umas colheradas por cima do couscous terminando com bagas de gogi.

Nota final: Não estava demasiado doce mas estava muito bom. Faltava apenas um pouco de hortelã mas a raspa de limão já lhe dava um toque exótico q.b..

Obrigada Marmita!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

UM CHÁ NO JARDIM DO BEM E DO MAL (*)


O blogue Cravo e Canela completa este mês dois anos e a sua criadora organizou uma Tea Party para a qual fomos convidados na condição de levarmos uma multa (digamos, uma prenda para o blogue aniversariante!)
A minha multa é uma mousse de chocolate.
Só que não é uma mousse qualquer - é uma receita da Natália Rodrigues, que aprendi num Workshop de Menus festivos no Instituto Macrobiótico - o mesmo é dizer que não leva açúcar (nem ovos, nem manteiga...). Mas é boa. Muito boa, mesmo e facílima de preparar. E, fresquinha, saberá bem na Tea Party.







Ingredientes
100gr de chocolate com pelo menos 70% de cacau
500gr de sobremesa de soja com sabor de chocolate
1 pacote de natas de soja soyatoo (próprias para bater)
2 colheres de sopa de geleia de arroz
Preparação
Derreter o chocolate em banho maria, juntar à sobremesa de soja, mexendo bem.
Bater as natas com a geleia de arroz até obter um creme fofo tipo chantlly.
Envolver as natas no creme de chocolate e levar ao frio.

Opção
Preparei a mousse em doses individuais, em camadas que, de baixo para cima, tinham adicionadas  alfazema, mirtilos, amoras, pistachios, raspa de laranja e pimenta rosa.
Servi com uma taça de morangos e com um cálice de água de flor de laranjeira.




*************************

A receita serviria igualmente para participar na iniciativa Passatempo Santa Gula e [Limited Edition] se acaso eu estivesse inscrita nas redes sociais. Como não estou, fica apenas o apontamento e a história que já estava escrita (e que justifica o título do Post, desadequado para uma inocente Tea Party...).



Mousse…

Só o som, sussurrado e ciciado, desta palavra sugere uma volúpia que, devagar e insidiosamente, se apodera dos sentidos, sem apelo. Mas com agravo. E, certamente, muito agrado.


A mousse não é para ser comida, é para ser degustada com toda a calma do mundo, para se derreter e fundir em nós, numa simbiose mais-que-perfeita. Sem apelo. Só com (mais) agravo…

Se a mousse, para além de o ser, tiver como ingrediente principal o chocolate, é o nirvana das mousses - come-se devagar, em colheradas pequenas e ainda mais pequenas trincadelas, de maneira a prolongar o prazer do sabor e da textura, num after taste etéreo e quase irreal.


Take 1 – o vermelho da luxúria

A mousse e o chocolate bastam-se por si próprios mas, se se quiser prolongar, antecipando, o prazer da mousse, sugiro que, antes desta, se degustem uns vermelhos, maduros e sumarentos morangos, cuja forma de coração nos promete um amor que, se não é eterno, terreno é de certeza… E nada como mordê-los devagar, começando pela ponta do seu lindo coração e deixando escorrer, pela garganta sequiosa, o sumo vermelho cor de vida e de paixão.


Após este preliminar – dispensável, como o serão todos os preliminares numa versão economicista da vida, mas essencial para quem a quiser gozar ao máximo – proceda-se à abertura das hostilidades e ataque-se o objecto da devoção, mas doucement, trés doucement, que nestas coisas os franceses são mestres…

Take 2 – uma ira cor-de-rosa

Já incendiados pelas chamas vermelhas dos morangos, a mousse de chocolate seria mais do que suficiente para encher os sentidos do paladar , do olfacto e da visão. Espicacemo-los, no entanto, a estes e aos outros dois. E juntemos, assim, umas bagas de pimenta rosa na primeira camada da mousse. Cada baga que se trinca estilhaça-se na nossa boca, confunde-nos a audição e espalha-nos pelo nosso corpo um calor, uma ira e outras emoções que se querem apaziguadas pelo tacto…





Take 3 – uma soberba cítrica

Tempo para acalmar ardores inflamados com um shot de sumidades da virginal flor de laranjeira que se junta com o subtil e exótico sabor da raspa de umalaranja. Refrescado o calor rosáceo da pimenta e purificado o palato, julgamo-nos únicos no mundo e, qual Cortez ou Magalhães, seus conquistadores e circum-navegadores, apesar de apenas estarmos a ser conquistados e vencidos por uma simples mousse...







Take 4 – a inveja é verde?...

Quase satisfeitos avançamos, no entanto, gulosos, na investigação das profundezas da mousse, buscando novidades que tardam em chegar – só à segunda investida, rápida e imperiosa, nos surpreende o sabor crocante de algo que, a custo, identificamos como pistachios, ligeiramente salgados, cujo verde, qual semáforo, sinaliza a esperança de que algo melhor estará para acontecer; e, olhando à nossa volta, reparamos que o comensal ao nosso lado ainda não acabou os morangos… e ficamos verdes de inveja pelos prazeres que ainda lhe faltam conquistar e que para nós já estão consumados.




Take 5 – uma gula de um roxo apopléctico

Espicaçados pelo sal, elemento perturbador numa mousse que se quer doce, repetimos, queremos mais, repetimos, queremos mais, e repetimos e queremos mais … até encontrar umas amoras silvestres, roxas cor de outra paixão, que devoramos com sofreguidão.





Take 6 – o azul gelado e ácido da avareza
Queremos mais e só para nós, arrebanhamos todos os pequenos restos da mousse, subtraindo-os e escondendo-os aos demais convivas, mas o chocolate só não chega ... eis senão quando surgem uns mirtilos azuis, frios e ácidos que nos apaziguam, e percebendo então que já não há mais surpresas, sucumbimos, vencidos pelo calor denso do chocolate ou quiçá pelo peso insuportável dos pecados mortais incorridos...



Take 7 – a preguiça é doce e tem cheiro e cor de alfazema

Mas, afinal, a mousse ainda nos reserva uma derradeira oferenda: na sua camada última, escondem-se uns pequenos grãos cor de lavanda e que mais não são do que flores de alfazema, cujo sabor acre contrasta com o doce e pacificador perfume que delas emana. Inebriados e entontecidos pela fragância calma da lavanda, caímos num torpor semi-inconsciente que se estende do cérebro a todo o corpo.
E, no rescaldo da suave volúpia da mousse de chocolate, deixamo-nos cair na mais doce e merecida das preguiças.


(*) Título inspirado aqui Meia Noite no Jardim do Bem e do mal – um Clint Eastwood no seu melhor...

segunda-feira, 25 de março de 2013

UM JANTAR DE ANO NOVO E DOIS DESAFIOS...

Sim, é verdade – há muitos anos novos para além do do nosso calendário Gregoriano…
Tradicionalmente este convívio de Ano Novo entre amigos calhava nos Reis.
Este ano - o tal de todos os perigos - não foi possível nos Reis e esteve marcado para 10 de Fevereiro, Dia de Ano Novo Chinês (ano da Serpente).
Tendo o Ano Chinês calhado no Domingo de Carnaval, adiou-se o jantar, o qual veio finalmente a coincidir (mais ou menos…) com o Ano Novo Persa e o Equinócio da Primavera, acontecidos, respectivamente, dias 21 e 20 de Março.
O Ano Persa nada me diz mas o Equinócio, esse, diz-me tudo, a mim criatura solar que precisa da luz como do ar: dias cada vez maiores, muita luz, muito Sol (espera-se!) e muita serotonina para curar invernais depressões e outras maleitas.



Aos convidados foram lançados dois desafios - o primeiro, consistia em trazer uma "multa" baseada numa receita publicada neste blog.
Ao segundo já lá vamos... 














Passemos, então, ao menu Jantar de Ano Novo.

A anfitriã e autora destas linhas trataria das “piéces de resistence”, a saber ods aperitivos sólidos, da sopa e do prato principal.


APERITIVOS
Focaccia de atum
Focaccia de algas
(receitas de Marco Fonseca)
Ingredientes e Preparação
Para cada focaccia
Ervas aromáticas a gosto (orégãos, manjericão, tomilho, alecrim)
2 taças de farinha semi-integral (ou uma integral e uma não integral);
Levedura (1 pacote por cada 500gr de farinha)
2 colheres de sopa de malte de cevada (opcional, não usado neste caso)
1 colher de sopa rasa de sal
Água morna na proporção de 0,55% de cada medida da farinha
2 colheres de sopa de azeite
para a focaccia de algas: 3 colheres de sopa de alga arame ou hiziki demolhada e picada
para a focaccia de atum: 1 lata de atum


Método tradicional: Amassar bem a farinha com todos os demais ingredientes até formar uma massa homogénea e pesada. Fazer uma cruz, tapar o recipiente com um pano e deixar levedar em sítio quente.
Método utilizado: Colocar a farinha, água, azeite, sal, (malte) e levedura na máquina do pão, programa pão básico; quando apitar (ou equivalente, segundo o programa da máquina), acrescentar as ervas e o ingrediente da focaccia em questão. Deixar prosseguir o programa até ao fim do ciclo de levedar, desligar a máquina.
Quando oportuno, estender a massa num tabuleiro largo e polvilhado com farinha. Coze cerca de 30 minutos. Servir morno (porque quente, já se sabe, provoca aquele efeito de “expansão interior” que não convém nada…).


Sangria de frutos silvestres (multa) aqui publicada em DOMINGO 15 de JULHO, NOITE DE JANTAR DE VERÃO.



SOPA DE PEIXE
Esta sopa é inspirada nas sopas do livro “A cozinha de Vítor Sobral” e na receita dos "Menus Festivos" do Curso Anual de Culinária Macrobiótica 2010/11, do IMP, com a qual inaugurei a minha participação neste blog.
Mas não segui à risca nenhuma delas.


Ingredientes e preparação do caldo
2 cabeças e espinha dorsais de tamboril
½ Alho francês em rodelas.
1 tira de alga wakamé
Pitada de sal
Pimenta
2 folhas de louro
Colocar água numa panela alta com o alho francês, a alga, a pimenta; quando ferver, colocar as cabeças de tamboril e respectivas espinhas dorsais e um pouco antes destas estarem cozidas, os fígados dos peixes. Desligar o lume quando o peixe estiver cozido, deixar arrefecer e separar os nacos de peixe cozido da parafernália de espinhas & cartilagens, deixando apenas estas últimas, que se voltam a pôr na panela, deixando ferver até o líquido reduzir para metade.
Coar o líquido e reservar.
Limpar as espinhas e cartilagens uma a uma aproveitando toda a gelatina nelas existentes (é uma enorme trabalheira, mas fica um caldo rico e muito proteico). Juntar todas estas partes gelatinosas e eventuais pedacinhos de peixe ao caldo, em conjunto com a alga e alho francês cozidos, triturar e coar. Reservar.


Ingredientes e preparação da sopa
2 cebolas, 2 cenouras, 1/2 pimento vermelho, 7 a 8 cogumelos frescos, todos em cubos pequeninos, 1 folha de louro, hortelã, vinagre de ameixa q.b., 2 dentes de alho picados e azeite, os nacos e fígados das cabeças de peixe cozidas, miso branco.
Saltear a cebola no azeite com sal durante alguns minutos até ficar transparente, juntar a cenoura, o cogumelo, e, por fim,  o pimento. Cobrir com água e deixar estufar mais 15 a 20 minutos. Juntar o caldo de peixe que for necessário para o número de comensais (o que sobrar pode congelar-se em pequenos recipientes para uso futuro).
Deixar cozinhar alguns minutos (+/- cinco), retirar uma porção de caldo e misturar com uma quantidade generosa de miso branco. Acrescentar os pequenos nacos de peixe os fígados cortados em pedacinhos. Rectificar o tempero e borrifar com vinagre de ameixa.
Servir em taças de consommé, decorado com folhas de hortelã frescas.



EMPADÃO DE TAMBORIL COM VEGETAIS, MASSA ESPIRAL E MAIONESE DE TOFU SEDOSO
Ingredientes
Peixe: 2 lombos de tamboril bem abertos em filetes (tem que se cortar de modo a “desfazer” o rolo formado pelos lombos), cozidos num tacho largo e em pouca água
Massa: ½kg de massa espiral bicolor biológica, cozida.
Vegetais: cogumelos frescos variados a gosto, cortados em pequenos cubos, 4 cebolas cortadas em meias luas grossas, 4 cenouras e 1/2 pimento cortadas em palitos finos, que se preparam da seguinte maneira:
Aquecer um tacho largo e fundo, juntar o azeite necessário para forrar o fundo, colocar a cebola e temperar com sal; quando a cebola estiver a ficar transparente, adicionar a cenoura com uma pitada de sal e, por fim os cogumelos e o pimento. No fim, borrifar com vinagre de ameixa q.b. e rectificar o tempero.
Maionese: 2 pacotes de tofu silk, azeite q.b., 1 colher café de mostarda, uma colher de sobremesa de sumo de limão, sal a gosto, uma pitada de pimenta, ervas aromáticas a gosto (no caso, manjericão) e um golpe de vinagre de ameixa. Triturar tudo com a varinha mágica num recipiente alto.
Finalização
Num recipiente de ir ao forno colocar no fundo os vegetais estufados, cobrir com os lombos de tamboril, a massa cozida e a maionese que se pode salpicar com ervas aromáticas picadas. Levar ao forno cerca de meia hora e servir de imediato.




O empadão foi acompanhado de uma salada muito bem preparada (multa).











SOBREMESA







A acompanhar, uns vinhos do Douro, multas de quem sabe do que a casa gosta em matérias de Baco…

E, mesmo no fim, para despedida de mais um ano quase a cumprir-se, um bolo confeccionado de acordo com a receita de bolo de aniversário do Marco Fonseca. 









Ingredientes e preparação
Base
A)   300gr de farinha de amêndoa, 300gr de farinha de espelta ou trigo; 1 pacote de 18gtr de levedura instantânea.
B)   200ml de leite de soja; 200 ml de óleo de grainha de uva; 200ml de concentrado de maçã ou de geleia de arroz, pitada de sal.
Misturar os ingredientes de A e, separadamente, os de B, estes com a varinha mágica, e envolver B em A. Levar ao forno pré-aquecido e à temperatura de 180ºC, em forma redonda untada e polvilhada com farinha, durante cerca de uma hora.
Recheio

0.5kg de abóbora, de preferência hokaido (larga menos água), geleia de arroz a gosto (300 a 400gr), casca de limão, pau de canela, 1 colher de sopa de amido de milho e 1 colher de chá de agar-agar dissolvidos numa chávena de leite de arroz ou soja, um pouco de vagem de baunilha, pitada de sal.
Cozer a abóbora com uma pitada de sal, a casca de limão, a baunilha e o pau de canela e o mínimo possível de água; quando estiver cozida, escorrer, retirar a casca de limão, a baunilha e o pau de canela triturá-la com a varinha mágica.
Numa panela levar ao lume o leite de soja com o puré de abóbora, a geleia e o amido e o agar-agar previamente dissolvidos.
Mexer continuamente o preparado. Prová-lo para rectificar o doce, tendo em consideração que quando está quente parece sempre mais doce do que em frio, pelo que se, nessa altura, estiver pouco doce deve-se acrescentar mais geleia.
Quando começar a engrossar, desligar o lume e deixar arrefecer.
Cortar a base de bolo ao meio e barrar a metade de baixo com o creme. Polvilhar com amêndoa picada se se quiser, cobrir com a metade de cima e barrar o resto do bolo com o creme, polvilhando igualmente com a amêndoa ralada se se quiser.

O segundo dos desafios era uma "prenda amigo mistério" feita por cada um e embrulhada em vermelho. E porquê o vermelho? Desde logo, porque é a cor do Sol que há-de vir para fazer esquecer este longo Inverno; além disso, os chineses acham que o vermelho traz sorte e dinheiro e, neste momento, mais do que nunca, eu quero acreditar em todas as superstições relacionadas com riqueza e prosperidade...
E o vermelho foi a cor dominante deste Jantar...






 

 
Na "mouche"...
  

 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Tarte/gelatina de maçã com morangos


Hoje, porque o pedido era dar vida a uma receita publicada neste blogue, fiz uma adaptação desta tarte, et voilá.



Duas diferenças a destacar na cobertura (uma delas facilmente detetada), face à receita inicial:
- Usei cerca de meio litro de sumo de maçã, uma colher de sopa de agar agar, 3 maçãs cortadas à fatias finas e posteriormente trituradas.
- Por cima, morangos cortados ao meio.

E desta forma fica, agora sim, integralmente cumprido o objetivo de levar uma receita publicada neste blogue.

quinta-feira, 14 de março de 2013

CONVIDEI PARA JANTAR...

MAIS UM POEMA...

Não consegui resistir a bisar a minha participação na edição em curso do Convidei para Jantar, de que é anfitriã a Cristina e promotora a Ana.



    Nocturno,
   Júlio dos Reis Pereira (1), 1929


Cântico negro

 
José Régio(2)

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se o que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?



Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.



Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...



Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.



Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


**********************

Pela pena de Régio somos confrontados com a recusa de soluções fáceis e óbvias, de caminhos já muito percorridos, convocados a sair das zonas de conforto – ainda que (et  pour cause…) o desconforto seja muito e grande, a reflectir na vida e nas constantes escolhas que há que fazer, as quais condicionarão o ulterior devir dessa mesma vida e, em última análise, definirão a forma como se viverá a idade maior, a de adultos responsáveis, capazes de decidir e assumir as responsabilidades inerentes e decorrentes das decisões tomadas em cada momento e circunstância.

O processo doloroso do nascimento prepara-nos para as dificuldades vindouras pois crescer e viver não é fácil, antes pelo contrário.  Bettiol, penalista italiano, escreveu que “o sofrimento é o grande estímulo que leva o homem a voltar-se sobre si mesmo para tomar as mais importantes decisões da vida”.

Saber dizer não a cantos de sereia e remar contra algumas marés faz parte de uma cidadania plena que sabe que um direito tem sempre como reverso um dever e que um é indissociável do outro.

Escolher é recusar o estatuto de menoridade acrítica e bovina onde muitos, comodamente, se refugiam e para onde, outros, cinicamente, querem remeter os demais.

Cada verso deste poema de Régio é uma chicotada na nossa consciência e na nossa auto-complacência e que faz nos tempos perigosos que vivemos mais sentido do que nunca (como o terá feito em cada um dos oitenta e oito perigosos anos que passaram desde que, em 1925, foi escrito…).

E, acima de tudo, apela àquilo que mais prezo – à liberdade individual, à crítica e à auto-crítica, indissociável da responsabilidade, também ela individual, numa permanente recusa de totalitarismos identitários e de diluição da culpa ontológica no anonimato colectivo (não, não somos todos culpados pelo estado em que “isto” está).

Não seremos necessariamente mais felizes mas isso do “direito à felicidade” é uma enorme falácia criada pela Constituição Americana (cheia de coisas boas, desde logo, ser pequena e concisa e, acima de tudo, já não ter os seus autores vivos…). É que não me lembro de alguma vez ter ouvido falar no “dever de ser feliz”…

**********************

Imagino Régio, regressado de um Grande Passeio de Domingo(3), pelos arredores acidentados de Portalegre, cajado na mão, capote alentejano pelos ombros.

Imagino-o revigorado pelo ar fresco e puro da Serra de S. Mamede, apesar de esgotado pelos quilómetros palmilhados, com um rafeiro alentejano colado aos calcanhares, arfante da excitação do passeio que o levara por trilhos até então inexplorados pelos demais caminhantes domingueiros.

Imagino-o sentado na sala de estar da ascética pensão a que chamou lar enquanto professor do Liceu de Portalegre -  cujo único excesso conhecido, a par dos escritos, são os Cristos crucificados - sentado numa mesa de camilha, em cujas profundezas brilham umas brasas depostas numa braseira de cobre.

Sobre a mesa jazem, qual natureza morta, uma taça de mousse de abóbora, uma garrafa de Porto e um copo para o servir.



(1) – Júlio dos Reis Pereira, pintor modernista (de entre outras actividades), irmão de Régio.
(2) – José Régio, pseudónimo de José dos Reis Pereira.
(3) – A propósito da novela “Davam grandes passeios aos Domingos”, de Régio.


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MOUSSE DE ABÓBORA




Ingredientes
1kg de abóbora, de preferência hokaido (larga menos água)
1 litro de leite de soja
Geleia de arroz a gosto (300 a 400gr)
2 colheres de sopa de amido de milho
1 colher de sobremesa de agar-agar
1 pouco de vagem de baunilha
Casca de limão
1 pau de canela
1 colher de sopa de pasta de amêndoa clara
3 ou 4 colheres de sopa de amêndoa sem casca moída

Preparação
Cozer a abóbora com uma pitada de sal e o mínimo possível de água; triturá-la com a varinha mágica quando estiver cozida.
Numa panela levar ao lume o leite de soja com o puré de abóbora e todos os demais ingredientes, sendo que o amido e o agar-agar são previamente dissolvidos.
Mexer continuamente o preparado. Prová-lo para rectificar o doce, tendo em consideração que quando está quente parece sempre mais doce do que em frio, pelo que se, nessa altura, estiver pouco doce deve-se acrescentar mais geleia.
Quando começar a engrossar e a subir na panela, desligar o lume, retirar a vagem de baunilha, o pau de canela e a casca de limão.
Deixar arrefecer e triturar com a varinha mágica, mexendo bem.
Servir em taças, podendo polvilhar-se com canela e amêndoa picada.

Nota: se se quiser uma consistência de pudim, aumentar a quantidade de agar-agar, não triturar o preparado e colocá-lo, ainda quente, numa forma grande, bonita, ou em pequenas formas individuais. Desenformar depois de frio.