Sim, é verdade – há muitos anos novos para além do do nosso calendário Gregoriano…
Tradicionalmente este convívio de Ano Novo entre amigos calhava nos Reis.
Este ano - o tal de todos os perigos - não foi possível nos Reis e esteve marcado para 10 de Fevereiro, Dia de Ano Novo Chinês (ano da Serpente).
Tendo o Ano Chinês calhado no Domingo de Carnaval, adiou-se o jantar, o qual veio finalmente a coincidir (mais ou menos…) com o Ano Novo Persa e o Equinócio da Primavera, acontecidos, respectivamente, dias 21 e 20 de Março.
O Ano Persa nada me diz mas o Equinócio, esse, diz-me tudo, a mim criatura solar que precisa da luz como do ar: dias cada vez maiores, muita luz, muito Sol (espera-se!) e muita serotonina para curar invernais depressões e outras maleitas.
Aos convidados foram lançados dois desafios - o primeiro, consistia em trazer uma "multa" baseada numa receita publicada neste blog.
Ao segundo já lá vamos...
Passemos, então, ao menu Jantar de Ano Novo.
A anfitriã e autora destas linhas trataria das “piéces de resistence”, a saber ods aperitivos sólidos, da sopa e do prato principal.
APERITIVOS
Focaccia de atum
Focaccia de algas
(receitas de Marco Fonseca)
Ingredientes e Preparação
Para cada focaccia
Ervas aromáticas a gosto (orégãos, manjericão, tomilho, alecrim)
2 taças de farinha semi-integral (ou uma integral e uma não integral);
Levedura (1 pacote por cada 500gr de farinha)
2 colheres de sopa de malte de cevada (opcional, não usado neste caso)
1 colher de sopa rasa de sal
Água morna na proporção de 0,55% de cada medida da farinha
2 colheres de sopa de azeite
para a focaccia de algas: 3 colheres de sopa de alga arame ou hiziki demolhada e picada
para a focaccia de atum: 1 lata de atum
Método tradicional: Amassar bem a farinha com todos os demais ingredientes até formar uma massa homogénea e pesada. Fazer uma cruz, tapar o recipiente com um pano e deixar levedar em sítio quente.
Método utilizado: Colocar a farinha, água, azeite, sal, (malte) e levedura na máquina do pão, programa pão básico; quando apitar (ou equivalente, segundo o programa da máquina), acrescentar as ervas e o ingrediente da focaccia em questão. Deixar prosseguir o programa até ao fim do ciclo de levedar, desligar a máquina.
Quando oportuno, estender a massa num tabuleiro largo e polvilhado com farinha. Coze cerca de 30 minutos. Servir morno (porque quente, já se sabe, provoca aquele efeito de “expansão interior” que não convém nada…).
Esta sopa é inspirada nas sopas do livro “A cozinha de Vítor Sobral” e na receita dos "Menus Festivos" do Curso Anual de Culinária Macrobiótica 2010/11, do IMP, com a qual inaugurei a minha participação neste blog.
Mas não segui à risca nenhuma delas.
Ingredientes e preparação do caldo
2 cabeças e espinha dorsais de tamboril
½ Alho francês em rodelas.
1 tira de alga wakamé
Pitada de sal
Pimenta
2 folhas de louro
Colocar água numa panela alta com o alho francês, a alga, a pimenta; quando ferver, colocar as cabeças de tamboril e respectivas espinhas dorsais e um pouco antes destas estarem cozidas, os fígados dos peixes. Desligar o lume quando o peixe estiver cozido, deixar arrefecer e separar os nacos de peixe cozido da parafernália de espinhas & cartilagens, deixando apenas estas últimas, que se voltam a pôr na panela, deixando ferver até o líquido reduzir para metade.
Coar o líquido e reservar.
Limpar as espinhas e cartilagens uma a uma aproveitando toda a gelatina nelas existentes (é uma enorme trabalheira, mas fica um caldo rico e muito proteico). Juntar todas estas partes gelatinosas e eventuais pedacinhos de peixe ao caldo, em conjunto com a alga e alho francês cozidos, triturar e coar. Reservar.
Ingredientes e preparação da sopa
2 cebolas, 2 cenouras, 1/2 pimento vermelho, 7 a 8 cogumelos frescos, todos em cubos pequeninos, 1 folha de louro, hortelã, vinagre de ameixa q.b., 2 dentes de alho picados e azeite, os nacos e fígados das cabeças de peixe cozidas, miso branco.
Saltear a cebola no azeite com sal durante alguns minutos até ficar transparente, juntar a cenoura, o cogumelo, e, por fim, o pimento. Cobrir com água e deixar estufar mais 15 a 20 minutos. Juntar o caldo de peixe que for necessário para o número de comensais (o que sobrar pode congelar-se em pequenos recipientes para uso futuro).
Deixar cozinhar alguns minutos (+/- cinco), retirar uma porção de caldo e misturar com uma quantidade generosa de miso branco. Acrescentar os pequenos nacos de peixe os fígados cortados em pedacinhos. Rectificar o tempero e borrifar com vinagre de ameixa.
Servir em taças de consommé, decorado com folhas de hortelã frescas.
EMPADÃO DE TAMBORIL COM VEGETAIS, MASSA ESPIRAL E MAIONESE DE TOFU SEDOSO
Ingredientes
Peixe: 2 lombos de tamboril bem abertos em filetes (tem que se cortar de modo a “desfazer” o rolo formado pelos lombos), cozidos num tacho largo e em pouca água
Massa: ½kg de massa espiral bicolor biológica, cozida.
Vegetais: cogumelos frescos variados a gosto, cortados em pequenos cubos, 4 cebolas cortadas em meias luas grossas, 4 cenouras e 1/2 pimento cortadas em palitos finos, que se preparam da seguinte maneira:
Aquecer um tacho largo e fundo, juntar o azeite necessário para forrar o fundo, colocar a cebola e temperar com sal; quando a cebola estiver a ficar transparente, adicionar a cenoura com uma pitada de sal e, por fim os cogumelos e o pimento. No fim, borrifar com vinagre de ameixa q.b. e rectificar o tempero.
Maionese: 2 pacotes de tofu silk, azeite q.b., 1 colher café de mostarda, uma colher de sobremesa de sumo de limão, sal a gosto, uma pitada de pimenta, ervas aromáticas a gosto (no caso, manjericão) e um golpe de vinagre de ameixa. Triturar tudo com a varinha mágica num recipiente alto.
Finalização
Num recipiente de ir ao forno colocar no fundo os vegetais estufados, cobrir com os lombos de tamboril, a massa cozida e a maionese que se pode salpicar com ervas aromáticas picadas. Levar ao forno cerca de meia hora e servir de imediato.
O empadão foi acompanhado de uma salada muito bem preparada (multa).
SOBREMESA
A acompanhar, uns vinhos do Douro, multas de quem sabe do que a casa gosta em matérias de Baco…
E, mesmo no fim, para despedida de mais um ano quase a cumprir-se, um bolo confeccionado de acordo com a receita de bolo de aniversário do Marco Fonseca.
Ingredientes e preparação
Base
A) 300gr de farinha de amêndoa, 300gr de farinha de espelta ou trigo; 1 pacote de 18gtr de levedura instantânea.
B) 200ml de leite de soja; 200 ml de óleo de grainha de uva; 200ml de concentrado de maçã ou de geleia de arroz, pitada de sal.
Misturar os ingredientes de A e, separadamente, os de B, estes com a varinha mágica, e envolver B em A. Levar ao forno pré-aquecido e à temperatura de 180ºC, em forma redonda untada e polvilhada com farinha, durante cerca de uma hora.
Recheio
0.5kg de abóbora, de preferência hokaido (larga menos água), geleia de arroz a gosto (300 a 400gr), casca de limão, pau de canela, 1 colher de sopa de amido de milho e 1 colher de chá de agar-agar dissolvidos numa chávena de leite de arroz ou soja, um pouco de vagem de baunilha, pitada de sal.
Cozer a abóbora com uma pitada de sal, a casca de limão, a baunilha e o pau de canela e o mínimo possível de água; quando estiver cozida, escorrer, retirar a casca de limão, a baunilha e o pau de canela triturá-la com a varinha mágica.
Numa panela levar ao lume o leite de soja com o puré de abóbora, a geleia e o amido e o agar-agar previamente dissolvidos.
Mexer continuamente o preparado. Prová-lo para rectificar o doce, tendo em consideração que quando está quente parece sempre mais doce do que em frio, pelo que se, nessa altura, estiver pouco doce deve-se acrescentar mais geleia.
Quando começar a engrossar, desligar o lume e deixar arrefecer.
Cortar a base de bolo ao meio e barrar a metade de baixo com o creme. Polvilhar com amêndoa picada se se quiser, cobrir com a metade de cima e barrar o resto do bolo com o creme, polvilhando igualmente com a amêndoa ralada se se quiser.
O segundo dos desafios era uma "prenda amigo mistério" feita por cada um e embrulhada em vermelho. E porquê o vermelho? Desde logo, porque é a cor do Sol que há-de vir para fazer esquecer este longo Inverno; além disso, os chineses acham que o vermelho traz sorte e dinheiro e, neste momento, mais do que nunca, eu quero acreditar em todas as superstições relacionadas com riqueza e prosperidade...
E o vermelho foi a cor dominante deste Jantar...
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| Na "mouche"... |