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sábado, 5 de outubro de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O OUTONO (7)

SLOW & FAST

A refeição de hoje foi preparada bem depressa, com recurso a comida já preparada, com uns pequenos retoques.

Em primeiro lugar, os benditos hambúrgueres de “picado” de lentilhas com quinoa, preparados como aqui se indicou e apenas passados de um lado e outro numa frigideira anti-aderente, sem qualquer gordura.


 

Como acompanhamento, preparei uma polenta, seguindo as indicações da da refeição inaugural desta nova temporada, desta vez ligeiramente salteada numa frigideira anti-aderente, sem gordura, e seguidamente coroada com um molho feita de azeite e muita salsa picada.
 

Acompanhou uma salada muito mista e uns pickles de gengibre com um pouco de chucrute.

 
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O OUTONO (4)

MEMÓRIAS DE OUTONO
O fim de Setembro e a chegada do Outono estão para mim indelevelmente associados à confecção de compotas. Isto acontecia na minha casa e em todas as casas que conhecia e visitava. Era comum, aliás, a troca entre amigas e conhecidas de pequenas tigelas de marmelada ou de frasquinhos de geleia de marmelo. Igualmente comuns eram as conversas entre as donas de casa sobre a melhor maneira de obter uma "marmelada branca" ou uma "marmelada vermelha". Algo que nos faz hoje sorrir, em que já não há donas de casa (não? eu não dei de conta de não o ser...) e que as trocas de impressões entre amigas versarão mais sobre "nails", temas do "face" e outras coisas que me abstenho de comentar...
Tenho muitas saudades desses dias e dias de grandes panelões ao lume, alguns de cobre, em que se apuravam os pontos do açúcar até que atingissem a consistência adequada à conservação das frutas que abundavam nesta época do ano e que, assim preparadas, durariam até ao próximo Outono.
Seguiam-se outros dias em que parapeitos de janelas e varandas se enfeitavam de tigelas de marmelada enxameadas de abelhas gulosas, as únicas capazes de funcionar como antídoto adequado à minha gula e vontade de meter os dedos nas tigelas do doce tentador.
Passaram alguns anos desde que, de espectadora, passei a personagem central na confecção de muitas e variadas compotas.
Nos últimos quinze anos, por via de alterações de regime alimentar, as compotas eram quase exclusivamente confeccionadas para oferecer. Vou aproveitando a época dos marmelos para os preparar cozidos ou assados, sem adição de qualquer açúcar. E adoro comê-los assim apenas polvilhados com canela.
Até que, no ano passado aprendi, com a Natália Rodrigues, do Instituto Macrobiótico, a fazer compotas de melancia e melão sem açúcar. Dão trabalho, sobretudo a melancia por causa das pevides, mas são facílimas de preparar – lava-se muito bem a fruta antes de a abrir, cortando-se seguidamente em pequenos bocados, que se colocam em tachos largos ou panelas altas, consoante a quantidade em causa.
Leva-se ao lume e deixa-se ferver até a fruta reduzir sensivelmente para 1/3 do volume inicial (serão necessárias cerca de 3 horas para o melão e de 5 horas para a melancia).
Enchem-se frascos quentes - e preferencialmente pequenos – até cima, que de imediato se fecham com as respectivas tampas (idealmente, a tampa deve inchar um pouco), voltam-se os frascos ao contrário, que assim se mantêm durantes alguns dias.




 
Apesar de não terem outro açúcar para além do da própria fruta, as compotas duram imenso tempo enquanto os frascos não forem abertos; uma vez encetados estes, as compotas devem ser consumidas no prazo de 4 ou 5 dias (daí a necessidade de serem frascos pequenos) e guardadas no frigorífico.
 
*  *  *

Nesses dias de azáfama não havia muito tempo para grandes requintes na cozinha. Aliás, lembro-me de se aproveitar ocasiões em que, por qualquer motivo, só o "gineceu" estava em casa para levar a cabo a grande empreitada das compotas.
 
Quaisquer sobras de comida, engolidas muitas vezes de pé, serviam para alimentar as abelhinhas mestras rodopiantes em volta dos tachos fumegantes.
 
A refeição de hoje, arrumadas que estão as compotas de melão e melancia, poderia ser a de um desses dias de azáfama: uma lata de conservas de carapaus em óleo picante tem a carga proteica necessária e suficiente para carregar baterias; junte-se-lhe meia batata doce (à época seria uma bateria de batatas porque estávamos todas muito fraquinhas...) e uma cebola cozidas, com grelos salteados e temos uma refeição ultra-saborosa e muito nutritiva.


 
Com esta refeição participo, mais uma vez no desafio da Maria, do blogue [Limited Edition] - Passatempo Conservas Nero e [Limited Edition].
 

domingo, 28 de julho de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O VERÃO (26)

6ª FEIRA ALUCINANTE COROADA COM UMA MASSA ESPIRAL DE ESPELTA COM REDON DE BACALHAU

 
 
 
Possuidora feliz de um resto do estufado de bacalhau que serviu para rechear a empanada de ontem, fiz uma refeição ultra-rápida, cozendo massa espiral de espelta (cereal que tenho vindo a utilizar em substituição do trigo desde que descobri que tinha intolerância a este último), na qual envolvi o bacalhau, tendo temperado tudo com pimenta moída na ocasião e amêndoas gratinadas com miso e vinagre de ameixa (pega-se numa colherada de miso de arroz e junta-se-lhe um pouco de vinagre de arroz juntando então uma mão cheia de amêndoas palitadas, coloca-se tudo numa frigideira anti-aderente, que se leva a lume brando, mexendo até as amêndoas ficarem crocantes - substitui o parmesão, embora originalmente devessem ter gratinado no forno; como tinha poucas amêndoas achei um desperdício de energia ligar o forno 15 minutos e essa versão fica para a próxima).
 
Para acompanhar um belo rosé fresquíssimo, que este Verão está a "escorregar" muito bem cá por casa...
 
 
 
 


quinta-feira, 25 de julho de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O VERÃO (25)

EMPANADA DE BACALHAU

 

Para aproveitar o resto da massa de ontem resolvi fazer uma espécie de empanada de bacalhau, para matar saudades dos tempos em que passava férias na Galiza.
A receita da massa é a de ontem. O recheio de bacalhau foi feito da seguinte forma:
Demolham-se e cozem-se uma mão cheia de migas de bacalhau compradas na praça e desfiam-se finas. Num tacho leva-se a estufar meia cebola cortada finamente com um fio de azeite, pitada de sal e folha  de louro. Junta-se um tomate bem maduro cortado em cubos e continua a estufar até o tomate estar bem desfeito, adicionando então o bacalhau. Fiz uma experiência, que consistiu em juntar uma colher de sopa de sementes de chia hidratadas numa chávena de chá de água durante cerca de meia hora (para fazer as vezes de um ovo batido). Deixar reduzir os líquidos, retirar a folha de louro, polvilhar com salsa e manjericão picados e colocar por cima da massa estendida, que se fecha de um lado e outro sem enrolar.
Vai a forno pré-aquecido durante cerca de 30 minutos.
 
Servi com rabanetes prensados (cortados finamente e colocados com sal na prensa de vegetais ou, na falta dela, num recipiente de rede que se coloca dentro dum outro recipiente onde possa cair o líquido que se vai formar, tapados com um prato e prensados com vários pesos; o sal obriga a que o líquido dos vegetais saia e fermenta-os ligeiramente sem os deixar salgados) e esparregado feito com rama de rabanete e de beterraba (muito bem cozidos e escorridos, picados finamente e salteados em azeite, alho e sal, sem farinha nem vinagre).
 
 
 
 
 


 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O VERÃO (24)

TORTA DE TOFU MEXIDO COM LEGUMES
 
 
 
Com as sobras do tofu mexido de ontem preparei uma torta da seguinte forma: 1. fiz  massa na MFP (programa pizza), juntando 200ml de água, 1,5 colheres de sopa de azeite, 1 pacote de fermento (15gr), 1 colher de chá de sal, 1 colher de sopa de manjericão seco e 400gr de farinha de espelta (*);
2. Estendi a massa e coloquei o tofu mexido por cima, uniformemente, e temperei com folhas de manjericão picado, um fio de azeite, pimenta ralada no momento, enrolei a massa, polvilhei com sementes de sésamo tostadas e levei ao forno a assar durante 30 minutos (verificar a cozedura para que a massa não fique nem demasiado cozida e seca nem encruada).
 
Aproveitei o tempo da cozedura do forno para grelhar umas fatias de beringela, previamente untadas com um dente de alho,  temperadas com azeite,  polvilhadas com tomilho e decoradas com um cubo de tomate.
 
Estava bom, bom, bom...
 
(*) sobrou massa pelo que para as quantidades para esta  receita poderão ser reduzidas para metade .
 

terça-feira, 23 de julho de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O VERÃO (23)

TERÇA-FEIRA: UM PRINCIPEZINHO EM INGLATERRA, UM PROTO-VICE-REIZINHO EM PORTUGAL  ...

À MESA, UM TOFU MEXIDO (É APROVEITAR ENQUANTO O IVA DO TOFU NÃO PASSA PARA 30%, PRODUTO DE LUXO, JÁ SE VÊ...)
 


A receita de tofu mexido é das mais fáceis que há para principiantes neste regime alimentar e prepara-se do seguinte modo: corta-se uma cebola em meias luas e  leva-se a estufar num fio de azeite e pitada de sal, em estando transparente, junta-se meia courgette em pequenos cubos (com casca, bem lavada), seguidamente a raspa de uma cenoura média  e, no fim (opcional), meia beringela em cubos (também com casca e previamente polvilhada com sal - e depois passada por água - para lhe tirar o sabor amargo. Poder-se-ia ainda ter junto abóbora em raspas.
 
Junta-se então um pacote de 250gr de tofu esfarelado com as mãos e deixa-se estufar cerca de 10 minutos, temperando com um pouco de molho de soja. No fim rectificar os temperos (borrifei com um pouco de vinagre de ameixa.
 
Servir com um acompanhamento de cereais à escolha e salada variada. No caso, o acompanhamento cereal foi uma sobra de arroz de abóbora de sábado, aquecida em banho maria, ao lume.

 
 

terça-feira, 9 de julho de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O VERÃO (9)

SANDUÍCHE DE TOFU
Após dez dias e dez noites de calor infernal, viagens na minha terra ao ritmo frenético do século XXI, uma merecida pausa.
Duas fatias de pão de espelta, umas folhas de alface e uns pickles de gengibre  com uma fatia do tofu assado de há dias (congelado e entretanto descongelado), mais uma "saladíssima" (expressão que define uma salada muito completa com alface, tomate, courgette, cenoura e nabo ralados, cebola) e o jantar está feito. Para acompanhar, uma bebida bem fresca. Não há louça para lavar, forno ou fogão a aquecer - para isso, já basta o calor de ananases que se faz sentir!


sábado, 6 de julho de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O VERÃO (6)

SALADA FRIA DE QUINOA COM TOFU ASSADO

Aproveitando os restos do tofu assado de ontem (confesso que seria um prato mais adequado ao Inverno ou então para comer frio, como hoje), cozi uma chávena de café de quinoa que levei ao frio; na hora de servir, cortei três fatias de tofu assado em cubos e os dois cogumelos que sobraram de ontem, piquei um pouco de manjericão e raspei parte de uma laranja, tendo misturado tudo uniformemente.
A quinoa é um óptimo (não)cereal e muito proteico e pode ser comido frio no Verão em saladas variadas, esta é só uma das primeiras receitas que irei publicar.




quinta-feira, 16 de maio de 2013

CONVIDEI PARA JANTAR UM FAMILIAR DE OUTRA GERAÇÃO OU MEMÓRIAS DE INFÂNCIA


As manhãs de Páscoa na aldeia de minha mãe estavam para mim associadas a uma enorme azáfama: eram as limpezas, os cozinhados, as colchas de cetim de cores garridas que, impregnadas de mofo e naftalina, saltavam do fundo de baús para as sacadas e janelas, era o vaivém do mulherio que se afadigava nas últimas limpezas e preparativos, que culminavam com a preparação da mesa pascal para o Sr. Abade e o Compasso – o vinho do Porto, dito “vinho fino”, folar, pão-de-ló, fatias de queijo, triângulos de pão de forma, alguns salgados, tudo primorosamente cortado e colocado em pequenos pratinhos, cada fatia ou pedaço encimado por um palito que dispensava lavagem de mãos, numa simetria que só aparentemente contrastava com a negligência do desalinho das amêndoas de Paris e torradas, atiradas às mãos cheias sobre a mesa.
Com as portas e janelas escancaradas, a rua atapetada com flores e ramos de verdura, as jarras obesas com flores frescas acabadas de apanhar, “lá em baixo no campo”, aguardávamos, com o nervosismo de figurantes em noite de estreia, a entrada em cena do Compasso.
Este fazia-se anunciar lá longe mas desde que o ouvíamos até que chegasse à nossa porta passava muito tempo, demasiado tempo para a minha impaciência infantil.
Até que – anti-clímax! - chegava o Compasso. Reuníamo-nos todos na entrada da casa, eu, sem perceber nada, imitava os demais, ajoelhada, baixava a cabeça, encenando uma santidade que nada tinha a ver comigo, ouvindo sem entender a ladainha do Sr. Abade, mas sempre à espera do “ataque” à sala do lado.

Tudo isto se passava em casa dos “Padrinhos”, que não tiveram nunca outro nome mas que para mim funcionaram como os avós que não tive. Eram os “Padrinhos” para todos nós - embora fossem, na verdade, Padrinhos de baptismo e de casamento de minha mãe e de meu irmão mais velho e, ele, Padrinho de baptismo de meu outro irmão. Guardo deles as recordações possíveis, passadas que são mais de três décadas sobre as suas mortes. Recordações quase sempre de festas e de almoços de família – era o Natal, o Ano Novo, por vezes os Reis, com as rabanadas de vinho (aqui já ilustradas, na 9ª Edição do CpJ), o bolo-rei vindo do Porto, com diâmetro de pneu, “queijo branco” (da serra, por oposição ao flamengo, “amarelo”) apenas um pouco menos ancho do que o bolo-rei, a Páscoa, muitos, muitos Domingos.

Recordo-me do sabor do assado no forno de lenha – ecológico “avant la letre”, porque usava “energias renováveis” e não combustíveis fósseis e verdadeiro cinco em um: cozinhava nos discos cimeiros, assava no forno, cozia um bolo ou pão na estufa, fornecia água a ferver a partir de um depósito e, por último, aquecia a enorme cozinha -, do arroz “estrugido” e das batatas assadas ou então fritas às rodelas grossas numa sertã com azeite, cujo sabor e trabalheira que davam não tinham igual. “Lá de baixo do campo” vinham hortaliças várias, algumas para as sopas da minha aflição, outras para as saladas e esparregados que ajudavam a equilibrar a refeição. Os “grandes” bebiam um vinho americano, produção de “lá de baixo do campo”, que bastas dores de barriga provocavam quando, acabado de pisar, era apenas “vinho doce”.

Depois dos comeres, os lazeres – brincadeira no quintal ou então “lá em baixo no campo”, índios e “caubóis”, com muitos “charapes” à mistura – a par de alguns palavrões, que as terras são do Norte e não há nada a fazer -, judiarias aos gatos, jogos de futebol em que tomávamos os nomes dos jogadores do único clube de podíamos ser fãs (FCP, pois claro) – o Pavão, o Cubillas que custara seis mil contos (um ror de dinheiro, na época), o Lemos que virou herói quando enfiou quatro bolas sem resposta na baliza do Benfica. Em dias de chuva refugiávamo-nos no escritório e brincávamos aos médicos, aos pais e às mães, sempre sob a supervisão de um adulto que dissimulava a atenção sob aparente desinteresse e distracção. Quando se conseguiam juntar uns tostões íamos à mercearia do Nunes – que, localizando-se ao virar da esquina e abrindo todos os dias do ano, unia os modernos «conceitos» de “comércio de proximidade” ao de “loja de conveniência”- para comprar uns rebuçados de café ou de menta, vendidos ao peso de acordo com o pé-de-meia disponível. Já mais crescidos, atacávamos as centenas de Plateias e Crónicas Femininas guardadas num velho armário e devorávamos as guerras que opunham Simone a Madalena ou Calvário a Artur Garcia.

E assim se passavam, preguiçosos e gulosos, os dias de descanso.

[Olhando para trás, constato que muitas mãos, visíveis umas, invisíveis as outras, contribuíram para que pudéssemos ter vivido como vivemos, embora sempre na maior das simplicidades. Sei igualmente que a nossa memória tem um filtro selectivo que nos leva a mitificar o passado e a só recordar o melhor que vivemos e sei exactamente o que foi menos bom e os espinhos pontiagudos das rosas aparentemente ternas e doces. Mas esse filtro serve, precisamente, para nos fazer avançar sem amarguras nem ressentimentos.]
Preparei uma refeição em que são convidados os “Padrinhos”, um almoço de festa e alegria, tentando recriar os muitos almoços de festa ou simplesmente de Domingo, procurando a fusão dos sabores tradicionais com “esta minha comida” – minha Mãe dixit….

Em vez da casa da aldeia, recrio os almoços em que os Padrinhos nos visitavam no Porto, aos dias de semana, dia de alforria para mim, que vivia entediada entre adultos que nada percebiam dos meus mundos imaginários e tinham pouca paciência para as diabruras provocadas pelos meus excessos de energia. Nesses dias, brincava com o Zé Augusto, caso ele também viesse, pendurava-me no Padrinho, que cheirava a Old Spice e que, sem falar, me dava todo o mimo de que era capaz, e, vaidosa que então já era, admirava a elegância da Madrinha, que, bem perfumada (Madeiras do Oriente?) e sempre de lábios bem pintados, invariavelmente trajava um fato de vestido e casaco comprido, singelamente adornado por uma pregadeira no casaco e um colar de pérolas ou de contas pretas, e calçava uns engraçados sapatos de meio salto, bicolores - pretos e brancos ou azuis e brancos, consoante a cor do fato -, com furinhos e picotado, que para mim ficaram para sempre alcunhados de “sapatos de velha”.

Nesta refeição não podia ficar de fora meu pai, responsável pelas meus terrores às hortaliças e às sopas cheias de “entulho”, mas que ainda assistiu à minha metamorfose no que respeita a bróculos, grelos e nabiças, e minha mãe que sempre vi de volta de panelas e fogões, agarrada aos Banquetes e ao Pantagruel, tentando criar uma cozinha sofisticada, de uma dimensão diferente daquela que se praticava em casa dos Padrinhos, mas sempre com muita conta peso e medida pois nós éramos muitos e o mês comprido como o comboio-foguete em véspera de ponte….

 



Trata-se de uma refeição muito simples e tributária da tal cozinha do Porto de aqui dei conta na 9ª Edição do CpJ, constituída por sopa (a única “entrada” que conhecíamos), prato principal e sobremesa, que recorre aos produtos da época (as ervilhas frescas da sopa) e ao que poderiam ser sobras de refeições para o prato principal. Já a sobremesa – creme de batata doce - é uma inovação de minha lavra que alia a tradição da batata doce que conheci no Algarve com o requinte de umas natas de aveia e de umas colheradas de pasta de amêndoa para concretizar uma sobremesa super-doce (quase insuportável para mim…) e reconfortante para dias frias como aqueles que agora atravessamos, mas sem um grama de açúcar.








Acredito que os meus convidados teriam gostado do almoço, mas não tanto como eu gostaria de os ter tido a todos, de verdade, à minha mesa, agora que estou quase a chegar à idade em que, naquela época, também eu vestiria fatos discretos adornados com pregadeiras e colares de contas e calçaria sapatos bicolores de meio salto…



E de que constou então o almoço?


SOPA DE ERVILHAS
Ingredientes
½ kg de ervilhas frescas
100gr de cogumelos de paris (para engrossar – aprendi há muito anos que a melhor maneira de engrossar sopas sem batata nem farinhas é usar este tipo de cogumelos, quase sem calorias e que conferem uma rextura e um sabor muito interessantes à sopa final).
1 cebola picada.
Fio de azeite, pitada de sal, pimenta moída, golpe de vinagre de ameixa, natas de arroz para decorar.


Preparação
Cozer as ervilhas até ficarem tenras em água com sal; num tacho alto, estufar a cebola picada com azeite, sal e a folha de louro; quando a cebola estiver transparente, juntar os cogumelos picados e bem escorridos, deixar estufar até perderem o líquido; no fim acrescentar as ervilhas e água suficiente para cobrir todos os vegetais. Triturar com a varinha mágica, acrescentar água caso seja necessário, rectificar os temperos, verificando o sal, acrescentando a pimenta moída na altura e um golpe de vinagre de ameixa.
Servir decorada com um pouco de natas de arroz.


 
 
EMPADÃO DE PESCADA E VEGETAIS NO FORNO
esta receita foi tirada daqui e limitei-me a substituir o bacalhau por pescada




Ingredientes (para 4 pessoas)
1 cabeça e uma posta de uma pescada pequena
2 cenouras raladas
1 cebola picada
¼ de lombardo em juliana
2 folhas de louro sem a nervura central
3 dentes de alho
Azeite
Uma embalagem de natas de arroz
Salsa e manjericão picados
Um pouco de pão ralado
Pimenta moída no momento















Preparação
Cozer o peixe e deixar arrefecer, lascando-o então.
Estufar a cebola picada em azeite, alho e louro, com uma pitada de sal, juntar a cenoura ralada, adicionando pitada de sal e, por fim a juliana. Se necessário, acrescentar um pouco mais de azeite. Incorporar o peixe lascado, juntar as natas de arroz e polvilhar com a salsa e o manjericão picados.






Colocar num pirex de ir ao forno e polvilhar o topo com pão ralado, levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 20 a 25 minutos. Fica muito, muito bom, e a textura do lombardo em juliana parece mesmo batata (cujo uso dispenso).



Servir com um esparregado de nabiças.





CREME DE BATATA DOCE
Ingredientes e preparação
1 kg de batatas doces, lavadas e descascadas, cortadas em cubos e cozidas em pouca água com pitada de sal, pau de canela e casca de limão, trituradas com a varinha mágica (quando a água da cozedura estiver quase toda evaporada).
Opcional
Raspa de limão e laranja
2 colheres de sopa de pasta de amêndoa à temperatura ambiente (ligeiramente amolecida)
3 colheres de sopa de natas de aveia.

O creme pode servir-se simples ou, numa versão opcional, mais requintada, batido com a pasta de amêndoa e as natas de aveia e polvilhado com a raspa dos citrinos.

É uma sobremesa muito (demasiado, para mim) doce, forte e própria para o tempo frio que, extemporaneamente, se está a fazer sentir…


E assim se passou este regresso ao passado…



sexta-feira, 26 de abril de 2013

SOPA AROMATIZADA COM LARANJA E FOLHADOS DE SEITAN

Esta refeição resultou do aproveitamento de vários "redons" - feijão branco pré-cozido e congelado e fatias de seitan estufadas como costumo fazer (em marinada de molho de soja, louro, alho e água)
 
SOPA
 
A base da sopa foi o puré de feijão branco a que adicionei uns feijões inteiros e, já no fim, sumo de laranja com hortelã e alecrim, como descrito na entrada de 11/8/2012 - http://paodecereais.blogspot.pt/2012/08/trinta-dias-trinta-menus-t2-11.html. Ficou substancial mas com um toque fresco, exótico e refinado.


FOLHADOS DE SEITAN
Picar as fatias de seitan na 1, 2, 3 até obter uma consistência cremosa.
Juntar cogumelos marron cortados em cubos e uma tira de alho francês (parte verde redonda, tipo rama de cebolinho) cortada em pequenos círculo e colocar o picado em cima dos quadrados de massa folhada (comprada fresca em supermercado, sem gorduras animais nem hidrogenadas), envolver o picado com as pontas da massa e levar ao forno (pré-aquecido a 200.ºC) cerca de quinze minutos.
Preparei dois por pessoa e acompanhei com uma salada fresca.
Decididamente a repetir - é rápido, muito saboroso, não suja muita loiça e não é muito calórico.
 
 









sábado, 11 de agosto de 2012

TRINTA DIAS - TRINTA MENUS T2 (10)

CORES DE VERÃO
SALADA DE COUSCOUS COM TOFU FUMADO, SALADA E COUVE FLOR ESCALDADA

O prato base foi o redon de couscous com bróculos (ver TRINTA DIAS - TRINTA MENUST2 (9)), ao qual se adicionaram quadrados de tofu fumado e um molho de azeite, vinagre de ameixa, molho de soja e mistura de especiarias marroquinas.


A couve flor foi escaldada em água a ferver cerca de 5 minutos, escorrida e, depois de arrefecida, foi temperada com um vinagre aromatizado caseiro (prenda da nossa amiga e "cobaia" M.), sal e coentros,

O O pepeino foi cortado em quadrados e temperado com sal e hortelã.

As azeitonas foram aromatizadas com um dente de alho esmagado, raspa de laranja e alecrim (mais uma receita do Jamie Oliver).

O conjunto resultou freco e harmonioso.

domingo, 5 de agosto de 2012

TRINTA DIAS - TRINTA MENUS T2 (7)

DÉJEUNER / GOUTER À LA CHEZ MARIANNE

Se um pequeno-almoço tardio é um brunch um almoço muuuuito tardio é o quê? Talvez lanche ajantarado. Não sei.

Mas o que sei é que eram cinco horas quando almocei. Morta, verde de fome, estômago aos saltos e aos gritos.

Mistura rápida de muitos redons, um patê de feijão de soja preto com massa de pimentão, alho e tahini (ficou parecidíssimo com o patê de beringelas do Chez Marianne), um ovo mexido (era biológico) e eis um parto degustação parecido com o do meu restaurante fétiche de Paris:
Chez Marianne, Rue des Rosiers, no Marais. Foi nele que jantei pela primeira vez quando também pela primeira vez estive em Paris, , nele vi Chico Buarque ainda casado com Marieta Severo e volto sempre lá quando regresso a Paris.


 

sábado, 4 de agosto de 2012

TRINTA DIAS - TRINTA MENUS T2 (6)

PALETA DE CORES


O almoço deste Sábado foi colorido e com muita energia terra para contrariar o estado letárgico de pré-hibernação que venho experimentando. Não foi exactamente um menu de Verão (senti um calor interior após terminar a refeição) mas serviu os propósitos de resolver o déficit energético. Tão bem fiquei que nem quis café nem sobremesa.

Consistiu então o almoço no redon da polenta de kimpira, re-aquecida no grill, acompanhada por bróculos estufados, puré de cenoura, feijão de soja preto e salada (esta não visível na fotografia).
O feijão de soja foi bem temperado com cebola, salsa e coentros muito bem picados, azeite e vinagre de arroz.

Bróculos estufados
Arranjar e lavar bem os bróculos, mergulhando-os em água com vinagre durantes uns minutos. Levar um tacho ao lume e quando estiver aquecido forrar o fundo com um fio de azeite, colocar uns destes de alho, os bróculos e temperar com um pouco de sal grosso. Tapar o tacho e deixar estufar em lume forte durantes uns 10 minutos, baixando então o lume. Deixar estufar mais uns 5 minutos, borrifar com mirin e vinagre de ameixa. Desligar o lume.
Os bróculos ficam crocantes e bastante saborosos sem sabor nem aspecto de vegetal super-cozido sem piada nenhuma.




PURÉ DE CENOURA
Ingredientes
4 cenouras grandes cortadas em rodelas na diagonal
2 cebolas grandes cortadas em quartos
Alguns dentes de alho
Azeite
Sal
Vinagre de ameixa
Raspa de limão
Preparação
Levar um tacho ao lume, juntar um fio de azeite e os dentes de alho esmagados. Quando estes estiverem louros, acrescentar a cebola, temperar com pitada de sal grosso, tapar e deixar estufar em lume forte até a cebola ficar transparente. Nesta altura, acrescentar as cenouras e temperar com mais uma pitada de sal. Tapar e estufar em lume forte cerca de 15 minutos, tendo o cuidade de verificar se os vegetais continuam a largar sucos para não queimar. Baixar então o lume e estufar mais uns minutos, até a cenoura ficar tenra. Passar na picadora (no caso vertente, foi mesmo com a varinha mágica) até formar um puré consistente. Juntar um pouco de raspa de limão e temperar com vinagre de ameixa.
Na hora se servir polovilhar com sementes de sésamo.

Borrifei todo o conjunto, excepto a polenta. com sumo de gengibre fresco.



 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

TRINTA DIAS - TRINTA MENUS T2 (5)

SAEM UNS FILETES DE CAVALA PARA A MESA 2 COM REDON DE ARROZ INTEGRAL
E COMO É SEXTA-FEIRA, HÁ SOBREMESA


Há muuuuitos anos atrás, estava o disco-sound a dar as útimas (lá por fora já havia Elvis Costello, Dire Straits, Pretenders, Ian Curtis & Joy Division, Boomtown Rats & Bob Geldof, Robert Palmer mas por cá vivíamos os Bee Gees, Blondie, Village People, Boney M., & etc ) passou em Portugal um filme despretencioso e piroso q.b., chamado "Graças a Deus é sexta-feira", com Donna Summer, que ganhou o Óscar da melhor canção com Last Dance . As personagens ansiavam pela chegada desta noite para ficarem horas numa fila à porta de uma discoteca, em cuja entrada - se autorizados a entrar - recebiam uma carimbadela na mão ou braço e depois passavam o resto da noite a dançar alegremente ao som dos hits do momento e de acordo com os ritmos e coreografias que fizeram a sua breve história em filmes do género (é ver o Travolta há 35 anos e 35 quilos atrás, só que no dia seguinte, porque aí a febre só lhes dava ao Sábado...)
Algo mudou muito desde  então pois nos dias que correm a sexta-feira é sinónimo de chegar a casa de rastos e ir cedo para a cama.

Por isso o jantar de hoje foi um singelo redon de arroz integral cozido e adaptado como aqui já referido (salteado em água com vinagre de arroz, alho francês e cenoura), salada e uns filetes de uma bela cavala de conserva.





Entretanto, houve prémio de 6ª feira à noite - uma gelatina de morango (preparada de véspera...). Não temos dança mas sobra cor!!!
A forma de preparação é a mesma da gelatina de maçã do jantar de 25 de Julho.



Ingredientes
1 embalagem de sumo de frutos silvestres (750ml)+ 250ml de água
250 gr de morangos bem lavados e arranjados
1 colher de sopa de agar-agar
2 colheres de sopa de amido de milho
5 colheres de sopa de geleia de arroz
Preparação
Colocar os líquidos numa panela ao lume com a geleia de arroz, os morangos, o agar-agar e o amido, mexendo continuamente. Quando a mistura começar a engrossar e a subir na panela a gelatina está pronta. Verter numa forma molhada e quando arrefecer colocar no frigorífico.


terça-feira, 31 de julho de 2012

TRINTA DIAS - TRINTA MENUS T2 (3)

PUDIM DE ARROZ COM PASTA DE AZUKI KIMPIRA DE CENOURA E ESPINAFRES SALTEADOS COM SEMENTES DE SÉSAMO

A entrada foi a sopa de courgette, hoje na versão quente e com sumo fresco de gengibre (para elevar os níveis de energia porque as "pilhas" estão a ficar gastas).




O empadão resultou da junção de dois "redons" - uma sobra de arroz cozido com cenoura e o resto da pasta de feijão azuki. O arroz foi aquecido em banho maria, enformando-se depois com a pasta de feijão. A fotografia não documenta mas o empadão ainda recebeu um "toping" de gomásio.

A KIMPIRA (mais energia "flash"...) prepara-se da seguinte forma:
Cortam-se as cenouras ao meio e em seguida em tiras na diagonal.
Aquece-se um tacho, junta-se um fio de azeite e as tiras de cenoura, temperando-se tudo com uma pitada de sal. Tapa-se o tacho e deixa-se estufar a cenoura em lume forte durante 10/15 minutos. Ao fim deste tempo, borrifa-se com molho de soja, deixando estufar mais cinco minutos. Desligar o lume e salpicar com sementes de sésamo pretas.

Os ESPINAFRES (frescos) foram muito bem lavados e mergulhados em água com vinagre cerca de 10 minutos, cozendo-se seguidamente a vapor. Aquece-se um tacho, junta-se um fio de azeite, dois ou três dentes de alho esmagados, sal e duas colheres de sopa de sementes de sésamo lavadas. Deixa-se estufar até o alho e as sementes "tufarem" ligeiramente juntando-se em seguida os espinafres, mexendo bem para envolver plenamente todos os ingredientes. No fim, deitar um golpe de vinagre de arroz e outro de ameixa.  



A acompanhar, como sempre, uma salada variada.