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domingo, 29 de março de 2015

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - A PRIMAVERA

JANTAR DE PRIMAVERA FESTIVO -  OU A PASSAGEM DE MAIS UMA PRIMAVERA...



AS ENTRADAS e a salada de funcho estiveram a cargo dos gentis convivas, que se fizeram acompanhar de dversas iguarias, algumas impróprias para uma refeição macrobiótica - mas dias não são dias e eu não sou fundamentalista!
Deixo registo de duas receitas confeccionadas pelas minhas amigas, segundo receituário do blogue.


PÃO DE AZEITONAS
Ingredientes
(1) 400gr de farinha biológica T65
(2)200 gr de farinha integral
(3) 360ml de água
(4) 1colher de chá de sal
(5) 21 gr de fermento fresco (meio cubo - primeira experiência com este produto e que correu muito bem)
(6) 3 colheres de sopa de azeite
1 chávena de chá de azeitonas descaroçadas
1 colher de sopa de manjericão
1 colher de sopa de orégãos
Preparação
Na máquina do pão colocar os ingredientes (1) a (6), começando pelos líquidos. Quando a máquina apitar ou faltarem dois minutos para terminar a fase de amassar, juntar os demais ingredientes e deixar correr o programa até ao fim.

HUMUS
Ingredientes
1 chávena de chá de grão de bico seco (demolhado em água, alga kombu e pitada de sal durante pelo menos 8 horas)
(1) 1 cebola picada muito finamente
(2) umas gotas de sumo de limão
(3) 2 colheres de sopa de azeite
(4) 3 dentes de alho esmagados
(5) 1 colher de sopa de tahini (pasta de sementes de sésamo)
(6) pitada de cominhos em pó
Preparação
1. Cozer o grão de bico em água abundante com a cebola.
2. Escorrer o grão uma vez cozido, colocar num copo alto, juntar os demais ingredientes e triturar com a varinha mágica. Se necessário - em geral não é -pode acrescentar-se um pouco de água de cozer o grão. Misturar cebolinho picado. Rectificar os temperos e juntar umas gotas de vinagre de ameixa, se necessário
3. Reservar no frigorífico até à hora de servir.


CANJA DE MILLET


A canja de millet vai sendo um clássico cá por casa - sai sempre bem, aconchega muito bem o estômago nestes dias primaveris que se têm pautado por ventos agrestes e desconfortáveis, sendo, pois, uma óptima maneira de iniciar as hostilidades pangruélicas - ou de fazer a ponte entre as hostilidades iniciais e as que hão-de seguir...

Ingredientes
1 cebola picada
1 cenoura em cubos
1 chávena de chá de millet
10 chávenas de água
Azeite, sal, hortelã, vinagre de ameixa
Preparação
Estufar a cebola com um fio de azeite e pitada de sal, juntar a cenoura e depois o millet, deixando estufar uns cinco minutos, mexendo sempre.
Acrescentar a água a ferver e deixar cozer aproximadamente 30 minutos.
Verificar os temperos e temperar com vinagre de ameixa.
No momento de servir, decorar com hortelã (que deverá colocar-se na base do prato antes de colocar a sopa, para abrir mais o respectivo sabor).

RISOTO DE COGUMELOS
 

Ingredientes
50gr. de arroz arborio por pessoa
1 cebola picada
Mistura de cogumelos de Paris, marron, shitake  e portobello
Água quente (mínimo 1lt para cada 500gr de arroz)
2,5 dl de vinho branco
1 colher de sopa de azeite
Sal e pimenta
Amêndoas tostadas com miso de cevada
Vinagre de ameixa
Cebolinho picado para polvilhar no fim
Preparação
Estufar a cebola picada no azeite, com pitada de sal, quando estiver translúcida, juntar os cogumelos finamente fatiados e deixar estufar até ficarem tenros.
Juntar então o arroz e o vinho e deixar reduzir, mexendo sempre. Aos poucos, acrescentar a água quente, mexendo sempre, até o arroz estar bem cozido sem ficar empapado.
No fim rectificar os temperos e temperar com o vinagre de ameixa para “abrir” o sabor – cuidado com o sal, porque o vinagre intensifica o sal.
Retirar então do lume.
Servir coroado com uma colher de chá de amêndoas picadas com miso (*) e cebolinho picado.

(*) Amêndoas picadas com miso: numa frigideira anti-aderente colocar amêndoas palitadas, levar ai lume e mexer com uma espátula de madeira até as amêndoas ficarem uniformemente douradas. Colocar as amêndoas em cima de papel de cozinha até arrefecerem. Num almofariz ou suribashi, esmagar as amêndoas tostadas com duas colheres de sopa de miso de cevada, até formar uma bola compacta. No momento de servir o arroz, colocar uma colher de chá desta mistura em cima do arroz, se este estiver bastante quente e caldoso, a mistura incorpora-se no arroz e confere-lhe um sabor próximo do do queijo (devido à natureza fermentada do miso) e uma textura crocante, dada pelas amêndoas.




SALADA DE FUNCHO COM LARANJA TEMPERADA COM VINAGRETA
Ingredientes
1 ou 2 bolbos de funcho, fatiados finamente
1 laranja cortada em fatias finas
Vinagreta
Preparação
Dispor o funcho e a laranja em camadas; temperar a gosto.
Pode misturar-se com salada verde, p. ex., pois resulta numa agradável mistura.
(esta foi uma contribuição doutros amigos)

 TIRAMISU  

   
Base
Ingredientes
Bolachas sem açúcar
Sumo de maçã
Preparação
Esmagar as bolachas com o sumo até formar uma pasta não muito mole e forrar com ela a base de um pirex quadrado ou rectangular (base fina); se se quiser um efeito crocante, juntar umas amêndoas palitadas tostadas. Levar o recipiente ao frigorífico
Recheio
Ingredientes
100ml de água
1l de leite de arroz
4 colheres de sopa de pasta de sésamo clara
260 gr. de geleia de arroz
3 colheres de sopa rasas de flocos de agar-agar
2 colher de sopa de amido de milho
Casca de limão
1 pitada de sal
Preparação
Colocar os flocos de agar-agar com a água num tacho, deixar repousar um pouco e juntar o leite de arroz, a geleia de arroz e a pasta de sésamo, o amido e o sal, um pouco de casca de limão, levar ao lume, mexendo sempre com varas de bater claras. O preparado fica pronto quando, após levantar fervura, o líquido subir.
Antes de ferver deverá provar-se para verificar o doce. Se em quente parece que está bom de doce deve adicionar-se mais doce porque depois, quando arrefecer, o sabor já não será tão activo.
Finalização
Uma vez arrefecido o recheio e antes de solidificar, vertê-lo sobre a base de bolacha e levar ao frigorífico.
No momento de servir polvilhar com cacau magro em pó.

PERAS COZIDAS SEM AÇÚCAR
Tomam-se as peras rocha (1 por cada duas pessoas, considerando que se trata de um acompanhamento do tiramisu) que se lavam muito bem, cortam-se ao meio e se descascam, retirando-se-lhes a parte do cascabulho e as pevides, mergulhando-se de imediato em água fria com sal para não oxidarem.
Colocam-se as metades de pera num tacho grande de modo que todas elas fiquem em contacto com o fundo, polvilham-se com pitada de sal, tapa-se o tacho e leva-se a lume forte, quando a fruta tiver largado líquido, baixa-se o lume e vai-se rodando o tacho de modo a que o calor e inerente processo de cozedura seja o mais uniforme possível; se necessário, virar as metades de cima para baixo, com cuidado para não as marcar com o garfo nem desfazer; poderá a acontecer que o líquido, à medida que evapora, comece a caramelizar, caso em que se deverá borrifar o tacho com um pouco de água, apenas a necessária para evitar que as peras queimem. Quando estiverem cozidas e tenras – e antes de começarem a desfazer-se! –, apagar o lume.

Serve-se as duas metades, uma por cima da outra, seguras com um palito e decoradas com uma folha de hortelã, no mesmo prato em que se serve uma fatia de tiramisu.

Nota: Esta é uma receita festiva, daí o tiramisu; no dia a dia, as peras por si só constituem uma excelente sobremesa sem qualquer açúcar e cujo doce é potenciado pelo processo de cozedura sem água, apenas com pitada de sal, que extrai a água da fruta, tornando o sabor doce mais concentrado. O sal, aliás, serve para potenciar o sabor natural dos alimentos (ou para os conservar, no processo de salga) nunca para “salgar” a comida!




Post Scriptum

A história da origem da receita do tiramisu – se é que se pode chamar-lhe receita… - é uma história com piada.
No fim do Verão de 2014, aproveitando dias preguiçosos de férias, fomos ver o filme Magia ao Luar no recém-inaugurado Cinema Ideal (que conheci sob outra denominação há quase trinta anos, passando então filmes indianos ao que se sucederam filmes porno); pelo caminho, passamos no IMP e compramos senhas para almoço. Chegados ao cinema, verificamos que o horário tinha sido alterado das 12h00 para as 13h00, o que me deixou "piurça"; telefonema para o IMP e garantia de almoços guardados, lá vimos o último Woody Allen dito menor por algumas cabeças bem pensantes (eu gostei imenso e diverti-me a valer!).
Mal acabou o filme, saímos a galope para o IMP, até porque a fome apertava.
Do almoço só me lembro que estava ressequido – pudera!
Mas a sobremesa era um tiramisu absolutamente divinal!
Procurei a autora da receita, a Geninha Varatojo, que já não estava, mas junto do Artur consegui saber alguns dos ingredientes; perante a minha (muita) insistência, demos uma de jornalistas e fomos investigar … o caixote do lixo, à procura das embalagens dos ingredientes! Assim, fiquei a saber que levava bebida de arroz e pasta de sésamo e bolachas na base. A partir daí, procurei uma receita de recheio de crepes dum mini-curso do Marco Fonseca, cujo recheio levava pasta de sésamo, a receita da base de bolacha do tofucake e passei à prática, inventando o que não sabia.
Não sei se esta é a receita da Geninha mas das três vezes que já a experimentei correu sempre bem…
Só mais um apontamento – desta vez ia correndo menos bem porque a pasta de sésamo que tinha à mão não era a pasta clara do costume, mas uma pasta para barrar, mais ácida (que comprei sem ler, em modo piloto automático), facto de que só me apercebi quando provei o recheio para verificar o doce. Pensei que era uma sobremesa estragada mas consegui dar-lhe a volta colocando a casca dum limão no preparado, o que atenuou fortemente o sabor ácido, apesar de ter persistido um ligeiro pico de acidez.

domingo, 10 de novembro de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O OUTONO (27)

EMPADÃO DE MILLET GLUTINOSO COM BACALHAU E CHEIROS


Este prato está no limite entre o Outono e o Inverno. O millet é o cereal de eleição da estação outonal mas o millet glutinoso é especialmente apropriado para dias de frio inclemente…
Parti da base da receita de empadão de millet com tofu fumado (ver entrada de dia 27.11.2011), pondo a cozer uma chávena de millet (glutinoso) com 3 chávenas de água e 1 chávena de leite de soja, meia couve flor pequena, uma pitada de sal, uma folha de louro e um pouco de azeite. Quando o líquido estiver bem absorvido, triturar até onter um puré muito homogéneo e sem quaisquer grumos (retirando previamente a folha de louro).
À parte, cozer, em água aromatizada com tomilho-limão, bacalhau (ou outro peixe a gosto, como pescada), que se reservam.
Num tacho levar a estufar em azeite e sal uma cebola cortada em meias luas, com couve portuguesa, cortada em pedaços, pequenos cubos de abóbora e uma mão cheia de cogumelos de Paris fatiados; os vegetais devem alourar antes de se juntar o seguinte; quando os vegetais estiverem tenros, juntar o bacalhau (ou o outro peixe escolhido) sem espinhas nem pele em lascas grossas.


Num recipiente de ir ao forno colocar uma base de puré de millet, rechear com o bacalhau) e vegetais e cobrir com nova camada de puré de millet. Cobrir com cebolinho picado (que, na foto, ficou esquecido...) e sementes de girassol e levar ao forno cerca de 30 minutos.


Servir com salada.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O OUTONO (11)

E SE DE REPENTE LHE CORTASSEM O GÁS?...

No nosso dia a dia damos tantas coisas como certas e garantidas que só quando não as temos é que percebemos a falta que nos fazem. É um cliché, mas alguém imaginou o que seria viver sem água canalizada ou, tão somente, água quente?

Há uns anos atrás, por força de obras no prédio e andar em que então vivia, estive uns dias sem fogão nem banheira, durante os quais os meus jantares - invariavelmente às 11h da noite - se resumiram a chá e torradas ou flocos instantâneos de qualquer coisa ou copos de leite. Os banhos, em dias em que não havia ginásio, eram à indiana.
 
Quando voltei a ter fogão e casa de banho completa, com águas correntes, quentes e frias, apercebi-me de como a minha vida ficou melhor e mais facilitada. Em termos comparativos com 4/5 do mundo, tenho o luxo de ter água canalizada, quente e fria, gás canalizado, e outras mordomias semelhantes.
 
Quer dizer, tinha, até ontem, quando alguém fez o que não devia e o gás foi cortado, situação que se irá prolongar algumas semanas.
 
Tive que mudar o "chip" - recorrer a uma placa eléctrica e cozinhar um só prato (difícil mas ao mesmo tempo, tão mais simples!).
 
Aquecer água na chaleira eléctrica para lavar a loiça.
 
Tomar banho de água fria - e sair da banheira ofegante mas cheia de energia e tão mais tonificada!
 
O jantar desta noite resultou desta mudança de "chip" - deixei preparado ontem o tofu em marinada de azeite, molho de soja, louro, alho e sal. Hoje, estufei ligeiramente um pouco de alho francês, cenoura cortada em lascas finas, meia batata doce em cubos, juntei as fatias de tofu, polvilhei com salsa e deixei estufar. A parte difícil foi encontrar o ponto certo do termostato - ou estava demasiado frio ou demasiado quente.
 
 
 
Quando o tofu e vegetais atingiram a consistência desejada, desliguei e passei à segunda parte da confecção o jantar: millet cozido com cogumelos e alho francês em tiras previamente estufados (uma medida de tofu para duas medidas de água). Mais uma dificuldade para acertar com o termostato até que o millet cozeu e absorveu toda a água.
 
 
 
Servi com uma salada.
 
 
 
Enquanto jantava pensava que uma experiência destas nos faz dar mais valor ao que temos e que damos por garantido. E, ao simplificar, nos ajuda a recentrar prioridades.
Não sei  é se vou conseguir ter imaginação para cozinhar receitas assim simples nas próximas quatro semanas...
 
 

terça-feira, 2 de julho de 2013

A LESTE DA LUA E A OESTE DO SOL - O VERÃO (2)



COURGETTE E PIMENTO RECHEADOS
 
Ingredientes
Dois fundos de courgettes grandes (na impossibilidade de encontrar courgettes redondas)
1 pimento vermelho grande
1/4 de pimento vermelho picado
4 colheres de sopa de millet cozido com água (dobro da medida de millet) e sal
6 colheres de sopa de lentilhas amarelas cozidas com água (1,5 medida) e sal
1/2 cebola picada
1 dente de alho
fio de azeite
folha de louro
manjericão picado
sal e pimenta gosto
vinagre de ameixa
 
Preparação
Tirar a polpa das courgettes com uma colher e picá-la.
Num wok, saltear rapidamente a cebola no azeite com o alho o sal e o louro, juntar a courgette e o pimento, quando alourados adicionar as lentilhas e o millet, deixando estufar uns minutos; rectificar os temperos (se necessário ou tiver à mão temperar com umas gotas de vinagre de ameixa) e polvilhar com o manjericão picado.
 
Rechear as courgettes e as metades do pimento, levar ao forno pré-aquecido e deixar assar cerca de 30 minutos.
 
Servir com uma salada variada (e um branco moscatel bem fresco...)
 
 





domingo, 23 de junho de 2013

VARIAÇÕES SOBRE PEQUENOS ALMOÇOS



O pequeno almoço é, para mim, a refeição mais difícil do dia. Desde logo porque o como depois de praticar desporto e preciso não só de repor a energia gasta como preparar-me para dias de intensa actividade intelectual
Depois de várias tentativas estacionei nos flocos de aveia e cevada.
Mas, mesmo preparados com frutos secos e com iogurte de soja natural, conseguia energia para duas horas, duas e horas e meia no máximo, ao fim das quais tinha uma quebra de rendimento e concentração e comia qualquer coisa que me aparecesse à frente - ou não comia e o rendimento caía a pique.
 
Aqui há uns dias, ao procurar receitas de bolachas para o passatempo Vamos fazer bolachas, encontrei no blogue Nem acredito que é saudável um sugestão de pequeno almoço feito com millet (aqui).
Este fim de semana resolvi experimentar, fazendo algumas adaptações na receita. O resultado foi uma energia esfuziante durante mais de quatro horas, sem crises de hipoglicémia nem falta de concentração.
 
Esta é a primeira variação das que tenciono experimentar para diversificar os meus pequenos almoços e, sobretudo, ter a energia de que preciso para fazer tudo o que tenho que fazer em cada dia que passa.
 
 
 

Ingredientes
(dá para 3 porções)
2 chávenas de café de millet lavado
água quente (o dobro da medida do millet)
Uma mão cheia de amêndoas palitadas e sementes de girassol
2 ou 3 maçãs reinetas cozidas
3 iogurte de soja (um por porção)
sementes de chia e outras a gosto
bagas de gogi
pitada de sal
Preparação
Colocar as amêndoas e as sementes de girassol num tacho e tostá-las ligeiramente, adicionando então a maçã cozida (sem a casca).
Tostar ligeiramente o millet e juntar a água quente e pitada de sal, deixando cozer até a água evaporar completamente.
Finalização
Envolver 1/3 do millet cozido em 2/3 de um iogurte de soja e colocar num recipiente alto.
Juntar em camadas (i) bagas de goji; (ii) os frutos secos com a maçã cozida; (iii) as sementes de ghia, papoila ou outras; (iv) o resto do iogurte.
 
Nota: esta versão foi para a fotografia, no dia a dia acabarei por misturar todo o iogurte no millet e na maçã com os frutos secos e colocar as bagas e as sementes na parte de cima (duma taça, porque levar um copo alto na mochila da ginástica não dá mesmo jeito nenhum...)

domingo, 14 de outubro de 2012

DOMINGO 14 DE OUTUBRO, NOITE DE JANTAR DE OUTONO E DE DESPEDIDA DE VERÃO...


O ciclo de jantares alusivos às estações encerrou num dia em que os calores de Verão ainda se faziam sentir.
Por tal motivo, incluí no menu uma polenta, confeccionada com carolo de milho, cereal de Verão, mas que, ao ter ido ao forno, acabou por ganhar um toque outonol.
Utilizei na sopa o cereal desta estação - o millet ou milho painço descascado - em conjunto com lentilhas vermelhas, leguminosa esta que ajuda a fazer a transição para as outras mais pesadas: lentilhas castanhas, grão, feijões, azuki, soja.
Esta sopa é muito reconfortante e com uns quadrados de tofu fumado poderá, no dia a dia, constituir a refeição da noite, que, por regra, deve ser mais leve (aquilo que comemos à noite é assimilado, em linha directa, no "pneu").
A "piéce de resistance" consistiu na polenta com um gratinado de grão e quinoa vermelha (inicialmente pensado para hamburguer mas cuja consistência demasiado fluida - consequência de ter adicionado à pasta demasiada água de cozer o grão - impediu tal desiderato) e nuns fritos de tofu e seitan. Quem me conhece sabe que não sou fã de fritos até porque tenho uma incompatibilidade com o processo de fritura. Desta vez, a fritura correu bem. No Outono e no Inverno é um método que pode ser usado como forma que obter alguma energia extra, sobretudo em alimentos com baixo teor de calorias e gordura, como é o caso do tofu e do seitan. Mas, claro, convém não abusar! 
Acompanharam várias raízes - cenoura e nabo ralados, rabanetes "picklados" -, excelentes para neutralizar a gordura dos fritos.

E porque os olhos também comem, procurei que as cores estivessem em sintonia com a estação - amarelos, laranjas e ocres.

Os convivas ajudaram, com as "multas" - vinhos do Douro, uvas e jeropiga de produção caseira, os rabanetes e uns queijos que não estavam no programa mas que foram muito apreciados por quem os comeu...




Passemos então à janta propriamente dita.

Com as entradas - não documentadas com fotografias - servi dois chás: chá três anos com erva princípe e chá de cevada com erva príncipe, ambos com sumo natural de maçã e folhas de hortelã. Eram bebidas frescas e, como não são alcoólicas, permitem que se beba vinho ao jantar sem receio de misturas. Houve, contudo, protestos por tal opção...


SOPA DE MILLET COM LENTILHAS VERMELHAS

Ingredientes
1 chávena de chá de millet bem lavado
1 chávena de chá de lentilhas vermelhas bem lavadas
1 cebola, 1 pouco de abóbora e um quarto de couve coração  cortadas em cubos
1 tira de alga wakamé
sal
vinagre de ameixa
rodelas de limão
folhas de hortelã

Preparação

Colocar o millet e as lentilhas numa panela alta com água suficiente para cozerem à vontade (no fim, caso seja necessário, pode adicionar-se mais água a ferver), pitada de sal e a alga wakamé cortada fina.
Deixar levantar fervura e, vinte minutos depois, juntar os vegetais e deixar cozer mais vinte minutos. Verificar se é necessária mais água (não demasiada para não ficar muito líquida mas a suficiente para impedir que a sopa fique tipo pudim pois o millet tende a engrossar e a pesar). No momento de servir, temperar com um golpe de vinagre de ameixa, verificar o sabor e adicionar um pouco mais caso necessário, mas cuidado porque este vinagre é salgado. Decorar com uma rodela de limão e folha de hortelã.




POLENTA NO FORNO COM MOLHO DE COENTROS

Ingredientes
1 taça de carolo de milho fino e 4 taças de água
1 pitada de sal
Para o recheio de vegetais
1 taça de feijão verde arranjado longitudinalmente e cortado em pequenos pedaços
1 cebola cortada em cubos
1/2 pimento vermelho cortado em cubos
Azeite, pitada de sal e de mirin
Nota: podem ser utilizados outros vegetais a gosto, já cozinhei a polenta com cogumelos, com tomate cherry, com kimpira de cenouras.
Para o molho de coentros
1 molho de coentros
Azeite, sal, alho

Preparação
Levar o carolo de milho a cozer numa panela alta em água fria com sal mexendo sempre; quando a massa engrossar e começar a subir, formando bolhas, está pronta.
Estufar os vegetais num fio de azeite e pitada de sal, começando pela cebola e, quando esta estiver quase transparente, adicionar os demais, temperando com um golpe de mirin. Quando estiverem tenros incorporar os vegetais na polenta, mexendo bem para que fiquem uniformemente distribuídos e verter o preparao para um recipiente rectangular que possa ir ao forno.
Num copo alto, triturar os coentros com o azeite, sal e alho até obter uma pasta cremosa, que serve para cobrir a polenta.
Levar ao forno cerca de 30 minutos e servir quente cortada em cubos.


FRITOS DE TOFU E DE SEITAN

Ingredientes
1/2 kg de tofu
1/2 kg de seitan
molho de soja a gosto
folhas de louro cortadas no sentido longitudinal sem a nervura central
alho picado
sumo de limão
pão ralado
óleo de sésamo

Preparação
Cortar o tofu e o seitan em quadrados com cerca de 5cm*5cm, e colocá-los a marinar pelo menos 2 horas (neste caso, foram sete horas) com molho de soja, o louro, o alho e sumo de limão.
Passar por pão ralado, retirando o excesso antes de fritar. A fritura faz-se em óleo abundante e bem quente, com poucos pedaços de cada vez. À medida que se vão retirando do óleo, envolvem-se em papel absorvente para retirar o excesso de gordura.
Nota: Estes fritos podem ser servidos quentes ou frios e são óptimos para festas ou entradas.



                           

RAÍZES
Cenouras raladas
Nabos ralados
Rabanetes, cortados em fatias finas, marinados em vinagre de ameixa e um pouco de sal e prensados durante 30 minutos.

PASTA DE GRÃO COM QUINOA VERMELHA
Ingredientes
1 chávena de grão
1 chávena de quinoa
tira de alga kombu
1 pitada de sal, açafrão, cominhos e noz-moscada
salsa ou coentros e cebola picados
farinha de araruta

Preparação
Demolhar o grão com a alga kombu e pitada de sal durante uma noite. Cozer na pressão (nota: o grão deve começar a cozer-se destapado para ir retirando a espuma que se forma, quando deixar de formar espuma tapa-se a panela e deixa-se cozer cerca de uma hora).
Cozer a quinoa com duas medidas de água.
Juntar os dois ingredientes cozidos, triturar com a varinha mágica ou na 1,2,3, temperar a gosto, juntar a farinha necessária para a massa ficar elástica e moldável, e envolver uniformemente a salsa ou coentros e a cebola picados. Se tudo tivesse corrido bem, teria moldado o preparado em círculos do tamanho de bolachas maria e com cerca de 1cm de altura, que levaria à chapa de um lado e doutro.
No caso vertente, fiz um quadrado grande que levei ao forno, até a massa ficar suficientemente consistente para poder ser cortada.
Ficou bastante saboroso (as especiarias dão um toque exótico agradável).


Um aspecto de todos os pratos - da esquerda para a direita: os fritos, a polenta, a pasta de grão com quinoa, pão de azeitonas e as raízes
 


Sobremesa
Servi o bolo de maçã, cuja receita aqui foi publicada no dia 7 deste mês (Convidei para Jantar), desta vez acompanhado com uma geleia de melancia preparada da seguinte forma: lava-se muito bem uma melancia, corta-se ao meio e, com uma colher de gelado, vai-se retirando a polpa da fruta que se coloca num tacho (sem pevides) com uma pitada de sal. Deixa-se ferver, com o tacho tapado, até reduzir para menos de metade (entre 4 a 5 horas). Guardar, ainda quente, em frascos que se fecham de imediato.
Consta que é um excelente tónico do rim, órgão que está em exposição nesta estação.

O aspecto é de diospiro e ninguém adivinhou do que se tratava...

 

Deixo aqui expresso o meu reconhecimento aos professores do IMP pelos ensinamentos que tenho recebido: as receitas foram, quase todas, aprendidas no Curso anual de culinária macrobiótica ou nos diversos workshops temáticos que tenho frequentado, tendo ainda aproveitado algumas sugestões e dicas informais dadas nas aulas.


sábado, 21 de janeiro de 2012

COZINHA DE INVERNO - 8



JANTAR DE INVERNO

No Natal de 2011 ofereci a amigos vouchers para quatro jantares macrobióticos cozinhados por mim.
Um jantar de Inverno.
Um jantar de Primavera.
Um jantar de Verão.
Um jantar de Outono.

O jantar de Inverno já ocorreu, como o comprova a fotografia do voucher carimbado(!!!).
Confesso que a adesão dos amigos não foi grande mas, como sou optimista, acho que as ausências se ficaram a dever ao recolhimento e pausa inerentes à estação...

E de que constou este jantar?

Como entrada, uma canja de bulgour, confeccionada da seguinte forma:

Ingredientes
1 medida de bulgour
5 medidas de água
sal
azeite
vinagre de ameixa
limão em triângulos
hortelã
cebola picada

Preparação
Levar a cebola ao lume com uma pitada de sal e fio de azeite, quando estiver dourada acrescentar a água e quando esta ferver acrescentar o bulgour, que se deixa cozinhar entre 20 a 30 minutos.
Serve-se decorada com limão em triângulos e folhas de hortelã e temperada com um golpe (generoso) de vinagre de ameixa.





O primeiro prato foi o empadão de millet com tofu, aqui já referenciado (entrada de 27 de Novembro de 2011), com uma diferença - em vez do choucrute utilizei couve portuguesa cozida e salteada em azeite e alho com um golpe de vinagre.

Acompanhou salada de vegetais prensados (alface, maçã e cenoura).





O segundo prato foi mochi com estufado de tempeh com cenoura e alga, sendo o acompanhamento o mesmo do empadão.
A confecção é igual à do empadão de mochi com a diferença apenas de que não enformei o preparado em empadão para não ter dois pratos de forno numa só refeição (ver a entrada de dia 1 de Dezembro de 2011).



A sobremesa constou das maçãs estufadas no seu suco com sultanas e pinhões aqui já divulgadas (ver a sobremesa da entrada do dia 11 de Agosto de 2011).

Aguarda-se a pontuação dos valentes que enfrentaram o frio polar que se fez sentir na noite do jantar de Inverno...

domingo, 27 de novembro de 2011

COZINHA DE INVERNO - 3

EMPADÃO DE MILLET COM TOFU E CHUCRUTE, SALADA MISTA COM MOLHO BRANCO







Prato de Inverno aprendido no fim de semana passado com o chef Marco Fonseca, segundo receita original da Geninha Varatojo.
É trabalhoso e demorou cerca de 1h20 a preparar e cozinhar, incluindo 30 minutos de forno.


EMPADÃO
Ingredientes
1 chávena de millet bem lavado
3 chávenas de água
1 chávena de leite de soja
250gr de tofu partido em quatro fatias, marinado em shoyu
abóbora cortada em juliana
uma cebola cortada em meias luas
2 dentes de alho
1/2 couve flor
pitada de sal
pitada de moz moscada
fio de azeite
chucrute
maionese

Preparação
Colocar o millet numa panela com um fio de azeite, saltear ligeiramente, juntar a água e a couve flor cortada em pedaços pequenos. Quando ferver, juntar o leite de soja, temperar com o sal e a noz moscada, tapar. Deixar cozer até os líquidos secarem por completo. Triturar com a varinha mágica.

Entretanto, colocar as fatias de tofu a marinar com o shoyu e confeccionar a maionese da seguinte forma:
Num recipiente alto, juntar 100ml de leite com 150ml de azeite (no original seria óleo de girassol ou de graínha de uva; aqueci ligeiramente o azeite com uma côdea de pão embebida em vinagre para extrair o sabor), 1 pitada de sal, 1/2 dente de alho, sumo de 1/2 limão, 1 colher de chá de mostarda, triturar com a varinha mágica até ficar firme (cerca de 2 minutos).

Num recipiente de ir ao forno colocar metade do puré de millet, as meias luas de cebola, a abóbora, o chucrute e, por fim, as fatias de tofu marinado. Cobrir com a outra metade de puré e, por fim, com a maionese.
Vai ao forno quente cerca de 30/40 minutos.

Notas
1. Optei pela versão menos trabalhosa (vegetais crus), a mais complicada envolvida estufar previamente os vegetais. Ganhou um pouco de líquido e os 30 minutos não foram suficientes para que a cebola ficasse completamente tenra.
2. Vou experimentar de novo, desta vez com nabiças cozidas, picadas e salteadas em esparregado grosso, em vez do chucrute.
3. Segundo o Marco, a maionese pode ganhar ou perder firmeza consoante a proporção de leite de soja e óleo: se se quiser mais consistente, junta-se 100ml de leite de soja com 200ml de óleo; para uma consistência mais líquida poderá ser 100ml de leite de soja e 100ml de óleo.

Servir com salada mista temperada com um molho feito com nabo ralado, uma colher de chá de tahini, pitada de sal e colher de sobremesa de vinagre de ameixa, triturado com a varinha para ganhar uma consistência homogénea.